quarta-feira, 2 de dezembro de 2009

Músicas para as Almas...


Saussure Bebeu da Fonte Mística

Ferdinand de Saussure (Genebra, 26 de novembro de 1857 - Morges, 22 de fevereiro de 1913) foi um linguista e filósofo suíço cujas elaborações teóricas propiciaram o desenvolvimento da linguística enquanto ciência e desencadearam o surgimento do estruturalismo. Além disso, o pensamento de Saussure estimulou muitos dos questionamentos que comparecem na linguística do século XX.

Filho de um eminente naturalista, foi logo introduzido aos estudos linguísticos por um filólogo e amigo da família, Adolphe Pictet. Saussure estudou Física e Química, mas continuou fazendo cursos de gramática grega e latina. Por fim, convenceu-se que sua carreira estava nos estudos da linguagem e ingressou na Sociedade Linguística de Paris. Estudou línguas européias em Leipzig e aos vinte e um anos publicou uma dissertação sobre o primitivo sistema das vogais nas línguas indo-europeias, a qual foi muito bem aceita.

Defendeu sua tese sobre o uso do caso genitivo em sânscrito, em Berlim, e depois retornou à Paris, onde passou a ensinar Sânscrito, Gótico e Alto Alemão e depois Filologia Indo-Europeia. Retornou a Genebra, onde lecionou sânscrito
e linguística histórica em geral. Em 1906 foi encarregado de ensinar Linguística Geral, e com isso realizou conferências que apresentaram conceitos que mudaram completamente o modo de encarar a linguística.


Entendia a linguística como um ramo da ciência mais geral dos signos, que ele propôs fosse chamada de Semiologia. Graças aos seus estudos e ao trabalho de Leonard Bloomfield, a linguística adquire autonomia e seu objeto e método próprio passam a ser delineados. Seus conceitos serviram de base para o desenvolvimento do estruturalismo no século XX. Abaixo seguem as famosas dicotomias enunciadas por Saussure:

- Língua X Fala:
Saussure também efetua, em sua teorização, uma separação entre língua e fala. Para ele, a língua é um sistema de valores que se opõem uns aos outros e que está depositado como produto social na mente de cada falante de uma comunidade, possui homogeneidade e por isto é o objeto da linguística propriamente dita.

Diferente da fala que é um ato individual e está sujeito a fatores externos, muitos desses não linguísticos e, portanto, não passíveis de análise.

- Sincronia X Diacronia:
Ferdinand de Saussure enfatizou uma visão sincrônica, um estudo descritivo da linguística em contraste à visão diacrônica do estudo da linguística histórica, estudo da mudança dos signos no eixo das sucessões históricas, a forma como o estudo das línguas era tradicionalmente realizado no século XIX.

Com tal visão sincrônica, Saussure procurou entender a estrutura da linguagem como um sistema em funcionamento em um dado ponto do tempo (recorte sincrônico).


- Sintagma X Paradigma:
O sintagma, definido por Saussure como “a combinação de formas mínimas numa unidade lingüística superior”, e surge a partir da linearidade do signo, ou seja, ele exclui a possibilidade de pronunciar dois elementos ao mesmo tempo, pois um termo só passa a ter valor a partir do momento em que ele se contrasta com outro elemento.

Já o paradigma é ,como o próprio autor define, um "banco de reservas" da língua fazendo com que suas unidades se oponham pois uma exclui a outra.

- Significante X Significado:
O signo linguístico constitui-se numa combinação de significante e significado, como se fossem dois lados de uma moeda.

O significante do signo linguístico é uma "imagem acústica" (cadeia de sons). Consiste no plano da forma.

O significado é o conceito, reside no plano do conteúdo.

Contudo, indubitavelmente, a teoria do valor é um dos conceitos cardeais do pensamento de Saussure. Sumariamente, esta teoria postula que os signos linguísticos estão em relação entre si no sistema de língua. Entretanto, essa relação é diferencial e negativa, pois um signo só tem o seu valor na medida em que não é um outro signo qualquer: um signo é aquilo que os outros signos não são.
"O binarismo redescobre-se nos centros de interesse e na própria personalidade do linguista genebrino, que trocava frequentemente Genebra por Marselha; nessas viagens regulares, ele levava pequenos cadernos que cobria de meditações sobre os textos védicos e saturninos da poesia sagrada da Índia e de Roma. Assim foi que ele encheu 200 cadernos a respeito dos anagramas e efetuou toda uma pesquisa cabalística para ver se não haveria um nome próprio disseminado no interior desses textos que fosse, ao mesmo tempo, o destinatário e o sentido fundamental da mensagem.

Perturbado por suas descobertas, Sausssure até se interessa por sessões de espiritismo durante os anos de 1895-1898. Essa dualidade não é, aliás, exclusiva de Saussure, vamos encontrá-la também em outros cientistas. Foi o que ocorreu com Newton, por exemplo, que enchia milhares de páginas sobre alquimia ao mesmo tempo em que redigia os seus Principia. O fundador da mecânica clássica e da racionalidade ocidental estava também empenhado na descoberta da pedra filosofal.

Haveria, portanto, naquele que Luis-Jean Calvet denominou segundo Saussure (22), a idéia da existência de uma linguagem sob a linguagem, de uma codificação consciente ou inconsciente das palavras sob as palavras, uma busca de estruturas latentes, das quais não existe o menor traço no Curso de Linguística Geral, no Saussure oficial, ajardinado. Saussure chegou mesmo a ser convocado em 1898 por um professor de psicologia de Genebra, Fleury, para examinar o caso de glossolalia de Mlle.Smith que, sob hipnose, declarava falar sânscrito. Saussure, professor de sânscrito, deduziu que "não era sânscrito, mas que nada havia que fosse contra o sânscrito".(23)

Todos esses cadernos foram cuidadosamente mantidos em segredo pela família e somente em 1964 Jean Starobinski pôde publicar parcialmente esses anagramas.(24)

Poder-se-á então inaugurar uma nova direção nas investigações, apoiando-se nessa descoberta, em meados dos anos 60, com destaque para Julia Kristeva. Pode-se falar, com Jakobson, da "segunda revolução saussuriana", por muito tempo reprimida.
(...)

Essa segunda filiação permitirá o retorno do sujeito. "

Notas:

(22) CALVET, L.-J., Pour et contre Saussure. Paris:Payot, 1975.

(23) Louis-Jean Cavet, entrevista com o autor.

(24) J. Starobinski, Mercure de France, fevr. 1964; depois, Les mots sous les mots. [Paris:Gallimard], 1971.

(Texto extraído da obra de François Dosse,"História do Estruturalismo", Vol.1, cap.7: "O Corte Saussuriano". )

Externas:

- Obra Teoria e Criticismo - Heidegger e Saussure - em inglês, vide link abaixo:

Alguns Termos Básicos (C)

Alguns Conceitos Essenciais (para Filosofia)

Retirados do "Glossário de Termos Gregos"

Introdução à História da Filosofia - Marilena Chauí


- Phainómenon: O que aparece, o que é visível, o que brilha diante dos olhos, fenômeno.

Vem do verbo phaíno: fazer brilhar, fazer ver, indicar, fazer conhecer, dar a conhecer, anunciar, pressagiar, explicar, mostrar-se, aparecer.

O fenômeno é aquilo que aparece e se mostra aos nossos olhos e pode ser conhecido. É o objeto do conhecimento perceptivo, visual.

- Krátos: Força ou vigor do corpo, potência da força corporal; por extensão: força ou potência de dominação.

A seguir, força ou potência de um chefe ou de um rei; autoridade soberana; finalmente: poder.

O verbo kráteo significa: ser forte e potente; por extensão: ser senhor, dominar, reinar, governar, comandar, ordenar, tornar-se senhor, assenhorar-se do poder.

Ainda: vencer uma luta, vencer numa disputa, vencer numa argumentação; prevalecer, ter a força de lei, ter a força de um costume; ter força de lei, ter a força de um costume; ter mais razão do que outro.

A palavra krátos dá origem ao elemento krátia, empregado na composição de palavras que designam quem tem o poder ou o governo num regime político.

Assim, uma oligarquia pode ser uma aristokratía (áristos: o mais excelente, o melhor, o mais nobre), isto é, o governo ideal dos melhores e mais poderosos, ou pode ser uma ploutokratia (ploûtos: riqueza, fortuna em ouro, prata e dinheiro), isto é, o governo dos mais ricos. A demokratía é o governo do démos, o poder popular ou governo de todos os cidadãos.

- Apáte: Engano, logro, fraude, traição, artifício, astúcia, ardil; sedução mentirosa através do discurso ou da oratória e que ilude nossos verdadeiros desejos; mentira pela palavra sedutora que nos lisonjeia e nos adula; adulação. Ver peithó.

- Peithó: Faculdade ou talento para persuadir, eloquência persuasiva, discurso persuasivo, doce e suave persuasão.

O verbo peithó significa: persuadir, convencer para que alguém faça de bom grado alguma coisa; seduzir por palavras, súplicas e preces; apaziguar e suavizar por palavras e súplicas; excitar e estimular alguém a aceitar uma opinião ou a fazer alguma coisa; confiar, entregar-se, fiar-se, deixar-se persuadir e convencer, ceder à palavra de alguém, crer na palavra de alguém.
Peithó não pretende enganar com seduções falsas e por isso se opõe a apáte (ver apáte), sedução mentirosa.

Peithó e apáte são centrais na retórica.

Personificada, Peithó é a deusa da boa persuasão e da boa eloquência.

- Kínesis: Movimento; ação de mover ou de mover-se; mudança; agitação da alma; movimento da dança; movimentos da alma.

O verbo kinéo significa mover, agitar, revolver, pôr em movimento, deslocar, mudar de lugar, perturbar, empurrar, excitar, estimular, mudar, modificar, alterar.

A palavra movimento, em grego, indica toda modalidade de alteração ou de mudança: mudança de qualidade, de quantidade, de lugar, de tempo, de ânimo; é o devir como nascimento, desenvolvimento e perecimento de um ser e todas as mudanças sofridas por ele ou causadas por ele.

A locomoção é um tipo de kínesis, mas não é todo o movimento. Envelhecer, rejuvenescer, amarelecer, diminuir, aumentar, alegrar-se, entristecer-se etc., são kinéseis (movimentos).

- Areté: Mérito ou qualidade nos quais alguém é o mais excelente; excelência do corpo; excelência da alma e da inteligência.

Virtude é sua tradução costumeira porque foi traduzida para o latim por virtus, que significa, inicialmente, força e coragem e só depois, excelência e mérito moral e intelectual.

A areté indica um conjunto de valores (físicos, psíquicos, morais, éticos, políticos) que forma um ideal de excelência e de valor humano para os membros da sociedade, orientando o modo como devem ser educados e as instituições sociais nas quais esses valores se realizam.

A areté se refere à formação do áristos: o melhor, o mais nobre, o homem excelente.

- Eudaimonía: Felicidade, prosperidade, abundância de bens.

O verbo eudaimonéo significa: ter êxito, conseguir, ser feliz.

Esta palavra é composta pelo prefixo eu- que indica: de origem nobre, algo bom ou justo, algo benevolente, em boa ordem, boa causa, a bondade, a perfeição – em suma, eu- dá um sentido positivo, bom, belo, justo às palavras que o acompanham.

Daímonia (ver daímon) faz parte de um conjunto de palavras ligadas à relação entre as divindades e os homens: inspirações, presságios, prodígios, benfeitorias divinas para com os homens.

Como a ação dos deuses também pode ser malévola e vingativa, passa-se ao emprego do prefixo eu- e à palavra eudomanía para significar exclusivamente a ação boa, benevolente, favorável.

A seguir, a palavra passa a referir-se às qualidades positivas e excelentes de alguém, isto é, passa a referir-se apenas aos próprios homens como capazes de felicidade e capazes de uma relação ativa e positiva com o divino.

Eudaimonía é a felicidade como perfeição ética, como resultado da vida virtuosa. Relaciona-se com eupraxía: a ação boa, bela e justa; a ação virtuosa.

- Daímon: Em sentido próprio: um deus, uma deusa, uma divindade; potência divina; donde: destino, sorte, infortúnio.

Depois de Homero: deuses menores, almas dos mortos, espíritos inferiores, demônio no sentido de entidades tutelares e protetoras dos vivos.

Por extensão: um espírito, um gênio ligado a uma cidade com seu protetor, ou a uma pessoa, definindo seu caráter e seu destino; gênio bom, gênio mau (em português, este sentido permanece quando nos referimos ao bom ou mau gênio / caráter de alguém).

- Demiourgós: Palavra formada de démos, povo, e órgon, ação, obra, trabalho.

Demiurgo é todo aquele que realiza um trabalho ou uma obra para outros, exercendo um ofício manual.

Por extensão: todo aquele que produz ou cria alguma coisa (orador, médico, carpinteiro, escultor, dançarino, músico etc.). É o artífice ou artesão. Como a primeira obra, numa cidade, é a produção das leis, o primeiro magistrado era chamado de demiurgo. Usa-se também para referir-se à divindade criadora ou artífice do mundo.

O verbo demiourgéo, derivado de demiourgós, significa trabalhar para o povo, e demiourgía é o trabalho manual ou artesanal feito para o público, fabricação, produção.

- Semeíon: Signo ou marca distintiva pela qual se reconhece alguém ou alguma coisa; donde signo celeste (as constelações), selo ou sinete (de um rei, de um chefe militar, de um sacerdote), bandeira, placa em estradas (para indicar a direção) e em edifícios (para indicar a finalidade), comunicação naval por meio de bandeirolas e gestos.

Semeíon é também o sinal ou vestígio deixado por animais, donde indício e, na linguagem judiciária, produzir provas oferecendo os indícios; na linguagem médica, indício ou sinal visível de alguma coisa ou de algum acontecimento visível.

Sema é signo ou marca e sinal. O verbo semaíno significa:

1.) marcar com um signo ou com um sinal distintivo para reconhecimento;
2.) manifestar-se sob a forma de um sinal ou de um sintoma.

Do Riso em Cerne de Alegria na Criança

Tabelão Alternativo (Cálculo Proposicional)

Sejam φ, χ e ψ símbolos para fórmulas bem formadas. (As fbfs em si não contém nenhuma letra grega, mas somente letras romanas maiúsculas, operadores conectivos, e parênteses.) Então, os axiomas são os seguintes:

Axiomas

Nome

Esquema Axiomático

Descrição

ENTÃO-1

φ → (χ → φ)

Adiciona a hipótese χ

ENTÃO-2

(φ → (χ → ψ)) → ((φ → χ) → (φ → ψ))

Distribui a hipótese φ

E-1

φ ∧ χ → φ

Eliminação da conjunção

E-2

φ ∧ χ → χ

Eliminação da conjunção 2

E-3

φ → (χ → (φ ∧ χ))

Introdução da conjunção

OU-1

φ → φ ∨ χ

Introdução da disjunção 2

OU-2

χ → φ ∨ χ

Introdução da disjunção

OU-3

(φ → ψ) → ((χ → ψ) → (φ ∨ χ → ψ))

Eliminação da disjunção

NÃO-1

(φ → χ) → ((φ → ¬χ) → ¬ φ)

Introdução da negação

NÃO-2

φ → (¬φ → χ)

Eliminação da negação

NÃO-3

φ ∨ ¬φ

Lei do terceiro excluído

SSE-1

(φ ↔ χ) → (φ → χ)

Eliminação da equivalência

SSE-2

(φ ↔ χ) → (χ → φ)

Eliminação da equivalência 2

SSE-3

(φ → χ) → ((χ → φ) → (φ ↔ χ))

Introdução da equivalência


- O axioma ENTÃO-2 pode ser considerado como sendo uma "propriedade distributiva da implicação com relação à implicação."

- Os axiomas E-1 e E-2 correspondem à "eliminação da conjunção". A relação entre E-1 e E-2 reflete a comutatividade do operador da conjunção.

- O axioma E-3 corresponde à "introdução da conjunção."

- Os axiomas OU-1 e OU-2 correspondem à "introdução da disjunção." A relação entre OU-1 e OU-2 reflete a comutatividade do operador da disjunção.

- O axioma NÃO-1 corresponde à "redução ao absurdo."

- O axioma NÃO-2 diz que "tudo pode ser deduzido a partir da contradição."

- O axioma NÃO-3 é chamado "tertium non datur" (Latin: "não há uma terceira opção") e reflete a valoração semântica da fórmula proposicional: uma fórmula pode ter um valor de verdade verdadeiro ou falso. Não há um terceiro valor de verdade, pelo menos não na lógica clássica.

ALICERCE LÓGICO

Bases Lógicas (++Dedução):

Binariedade lógica:

- Verdade (V) = 1 ou

- Falsidade (F) = 0


- Infererência (necessidade): argumento vale,
quando há obrigação indispensável, inevitabilidade, essencialidade.
- Contingência (suficiência): não infere, não urgência.
Ex.: Antônio é careca. (atribuição valorativa)
...Antônio(menor) pertence ao conjunto dos carecas(maior).
...Os carecas(maior) não pertencem ao conjunto do Antônio(menor).


Raciocínio Dedutivo:
- Aristóteles: “Dadas algumas coisas, delas se seguem outras necessariamente.”
- A partir do Termo Médio: captação de Verdades exauridas.

Princípios Lógicos:

1.) Princípio da Identidade:
“Todo ser é igual a ele mesmo.” Ou “O que é, é.”
Identificação da persistência ou perduração ontológica. VI AC -> Escola Eleática
- Parmênides de Eléia, Zenão de Eléia, Melisso de Samos.
- Ser estático, imutável.
- Negação do movimento.


2.) Princípio da Contradição:
Sob mesmo aspecto e temporalidade, uma coisa nãopode ser e não ser coisa.
“Um ente não pode ser e deixar de ser no mesmo tempo (Aristóteles) ...e no mesmo lugar.”(Heidegger)
“Uma proposição não pode ser (V) e (F) ao mesmo tempo.”

3.) Princípio do 3º Excluído(Excludente):
“Ou é ou não é.” (Aristóteles)
Entre ser e não ser, não há possibilidade de meio termo.
Ou uma porta está aberta ou fechada.
Há a afirmação de tal, ou sua negação.

Divisão da Lógica:

- Lógica Maior ou Material:
Trata do conteúdo das premissas. (V) ou (F)
Classifica o silogismo em correto ou incorreto.

- Lógica Menor ou Formal:
Não se preocupa com (V) ou (F) das premissas.
Se ocupa da Inferência (exigência de que não exista dúvida)
Classifica o silogismo em Válido ou Inválido.

Argumento 1: correto e válido
- Todo grego é homem. (V) -> infere
- Filon de Mégara é grego. (V)
.’. Filon é homem. (V) -> válido


Bases Lógicas (Indução):

O conhecido “tabelão” baconiano – conjunto de verdades, leis ou constatações científicas – pela “suficiência” em enumeração fraccionada de várias porções particulares, tem a meta de estabelecer um universal por leis gerais (entendendo o “geral” como específico ao que se refere, não necessariamente oh’-“absoluto”, como todos os alunos de uma classe, por exemplo. Ressalvado por Hume, há a problemática da necessidade de previsibilidade das inferências, segundo leis ou normas estabelecidas, gerais.

Princípios Lógicos:

Por semelhança ou analogia se fundamenta a expectativa de ocorrência de determinados casos particularizados, não gerando determinação de necessidade universal. Com a especificidade de uma experimentação feita, eventualmente, a probabilidade de reafirmação da mesma acontecer, é antecipada.

As projeções sob acontecimentos
passados, históricos, se julgam favoráveis-de-ocorrer, dadas experiências anteriores acontecidas. Tal como, na vida de um homem, as boas experiências com mulheres loiras, por exemplo. Se pode antecipar que lidar com “adventas” outras, provisoriamente em noção-por-inércia-dos-fatos, a posterior e posterior se darão da mesma forma.

A problemática é clara, tal como o julgamento de “conhecimento-‘verdadeiro’-por-senso-comum” existe, a saber, acepção positivada ou equiparada
à “chá de boldo faz bem” ou “toda mulher de minissaia a noite ‘quer’”, com verdades científicas “se você pular de cima de um edifício alto de cabeça, ‘a lei da gravidade’ o matará etc”. O maior problema é com a generalidade necessária dos acontecimentos, pois, saber que não se deve ingerir boas porções de mercúrio com pão no café da manhã, é muito plausível.

Se pauta na universalização desde alguns particulares de um todo. Em forma de atingir uma generalidade, a enumeração de todas as partes não garante necessariamente sua universalização.


Base de maioria das diversas ciências modernas, seu método é considerado (provisoriamente – ou até que se mostre o contrário –em) autêntico e justificado, mas desde Hume e Popper por exemplo, elucida a possibilidade de somente uma fuga da regra, pode assim invalidar todo o conjunto regido de ocorrências afirmadas até então.

"Hora da Pipoca" - Intervalo III

- Contato com o "jump"-do-espírito 'Feeling pela Redenção Schopenhaueriana



- Stravinsky!



- Depois que Tägtgren(o vocal-lenda-em-composição) 'fugiu do hospício'...

segunda-feira, 23 de novembro de 2009

Argumentos Falaciosos

Argumentos Falaciosos - um pequeno compêndio para evitar a compra de gatos por lebres
por Fredric Litto
Professor da ECA-USP (Rádio-Televisão e Comunicação)
desde 1971, coordenador científico da Escola do Futuro da USP
e presidente da Associação Brasileira de Educação a Distância (ABED)


Todo mundo sabe o que é uma mentira. Feita de uma pessoa para outra, ou para muitas outras, é uma afirmação cujos fatos enunciados não correspondem à verdade. Mentiras são maneiras de evitar uma possível punição ou de encobrir uma situação ridícula; pode ser também uma estratégia para não comprometer outras pessoas injustamente. Afinal, ninguém gosta de ser, ou merece ser, vítima de mentiras no que elas têm de condenável porque escondem a verdade. Por exemplo, houve uma época no Brasil, quando todos sabiam que se o governo federal anunciasse que não ia fazer alguma coisa, como criar um novo imposto, baixar uma nova lei de emergência.... isso infalivelmente seria feito, e dentro de pouco tempo. A vítima de uma mentira sempre está em desvantagem porque não sabe a verdade, não tem a informação correta para tomar uma decisão acertada, podendo ainda se sentir em dúvida, num ceticismo perturbador, até que a verdade se imponha. A vítima de uma mentira age sob a influência de um ardil verbal. Acredita naquilo que supõe ser verdadeiro quando não o é. Podemos ser vitimados também por um outro tipo de desvio de pensamento que é tão perigoso e enganador quanto a mentira: a falácia.

Enquanto a mentira é uma informação falsa, uma falácia é um argumento falso, ou uma falha num argumento, ou ainda, um argumento mal direcionado ou conduzido. A origem da palavra "falaz" remete à idéia do deceptivo, do fraudulento, do ardiloso, do enganador, do quimérico. Para entender bem isso, é preciso lembrar que quando pessoas esclarecidas
tentam convencer outras também esclarecidas a acreditar em suas afirmações, precisam usar argumentos, isto é, exemplos, evidências ou casos ilustrativos que confirmem a veracidade do enunciado. Como se vê, estamos falando de discursos, de enunciados, de declarações feitas com o fim de persuadir, levando alguém ou um grupo a acreditar numa coisa ou outra. Você acredita em tudo o que escuta ou lê? Claro que não. A diferença entre uma pessoa esclarecida e uma não- esclarecida é a maneira como ambas lidam com discursos: a primeira tem critérios para aceitar ou rejeitar argumentos; a segunda ainda não aprendeu os critérios para distinguir argumentos que carecem de fundamentação.

Note bem: não confunda mentiras com falácias. Mentiras são desvios ou erros propositais sobre fatos reais; falácias, por outro lado, são discursos, ou tentativas de persuadir o ouvinte ou leitor; promovendo um engano ou desvio, porque suas estruturas de apresentação de informação não respeitam uma lógica correta ou honesta, pois foram manipuladas certas evidências ou há insuficiência de prova concreta e convincente. Uma afirmação falaciosa pode ser composta de fatos verdadeiros, mas sua forma de apresentação conduz a conclusões erradas. Toda pessoa esclarecida, instada a elaborar argumentos, por força do trabalho que executa ou de situações cotidianas, deve reconhecer nos próprios argumentos o uso proposital do raciocínio falacioso (intenção de ludibriar) e a imperícia de raciocínio (lógica acidentalmente comprometida). De uma forma ou de outra, compra-se ou vende-se gato por lebre.

Uma vez sabendo identificar falácias,
você vai começar a vê-las por todo lado. Nos discursos de candidatos a cargos políticos, nas notícias de jornal (tanto impresso quanto televisivo), nas reuniões de condomínio, nas frases de vendedores (de imóveis, de carros e planos de saúde, de cartões de crédito). Há quem cometa falácias sem malícia, meramente como resultado de raciocínio apressado ou ingênuo. Mas é mais freqüente encontrar falácias em argumentos de pessoas ou instituições que querem enganar o ouvinte, querem convencê-lo a concordar com o enunciado (seja votar, comprar ou decidir, manipulando a vontade do interlocutor).

Para quem é professor, por exemplo, é mais importante levar seus alunos a entender como identificar falácias enunciadas por outros, e como não cometer uma falácia, do que ensinar uma grande quantidade de fatos a serem memorizados e logo esquecidos. Aquilo que o professor ensina aos seus alunos deveria ficar com eles até o fim dos seus dias, protegendo-os de políticos capciosos, vendedores oportunistas e de vizinhos intimidadores, desejosos de manipular o pensamento dos seus ouvintes, enganando-os com argumentos falsos ou desviados.

Assim, uma falácia não é apenas um erro; é um erro de um certo tipo, que resulta do raciocínio impróprio ou fraudulento. A falácia tem todo o aspecto de um argumento correto e válido, embora não o seja. Esse é seu grande perigo: parece correto, mas não é, além do que, leva a outros erros de pensamento, como conclusões erradas. Existem três grandes categorias de falácias: (A) aquelas baseadas em ''truques de palavras''; (B) aquelas que representam a perversão de métodos de argumentos legítimos, especialmente o indutivo; e (C) aquelas que representam argumentos extraviados ou desencaminhados.

Para cada tipo de falácia daremos o nome, uma definição e um ou mais exemplos. [O autor do artigo ficará feliz em receber de leitores sugestões de falácias aqui omitidas para serem acrescidas numa nova atualização].

A. Truques de Palavras
- 1. Equívoco
- 2. Conotação Contrabandeada
- 3. Eufemismo e Hipérbole
- 4. Ênfase Incorreta na Frase
- 5. Uso Incorreto de Etimologia
- 6. Acidente
- 7. Coisificação, ou Reificação

B. A Perversão de Métodos Legítimos de Argumentação
- 8. Depois do Fato, Portanto Devido a Ele
- 9. Números Grandes
- 10. Significância Ambígua
- 11. Citação Fora do Contexto, ou Contextualização
- 12. Falácias de Estatística
- 13. Composição
- 14. Divisão
- 15. Falácia Genética
- 16. A Ladeira Escorregadia

C. Argumentos Extraviados
- 17. Reivindicação à Perfeição, ou a Exigência de Perfeição
- 18. Circularidade, ou Evitando a Questão
- 19. Auto-Contradição
- 20. Non-sequitur, ou "Não Segue"
- 21. Generalização Precipitada
- 22. Generalização Desmedida
- 23. Argumentando a Partir da Ignorância
- 24. Jogo da Meia-Verdade
- 25. Falácia do "Homem de Palha"
- 26. Falácia de Bifurcação, ou de "Branco ou Preto"
- 27. Mudança do Ônus da Prova
- 28. Falácia das Premissas Escondidas
- 29. Estereótipos
- 30. Condenando a Fonte
- 31. Argumento ao Povo, ou Falácia do "Trio Elétrico"
- 32. Argumento de Autoridade ou de Antigüidade
- 33. Apelação ao Status Sócio-Econômico
- 34. Apelação à Pobreza
- 35. Argumento Dirigido às Emoções, ao Sentimento de Pena
- 36. Falácia da Conclusão Irrelevante
- 37. Falácia de "Dois Erros Fazem um Certo"
- 38. Apelação para Consideração Especial
- 39. Apelação pela Novidade
- 40. Apelação pela Repetição
- 41. Falácia da Redução ao Absurdo
- 42. Diversão
- 43. A Falácia Temática
- 44. Reducionismo Excessivo
- 45. Ameaça de Uso de Força

Fonte: uol.com.br/aprendiz/n_colunas/f_litto/

Alguns Termos Básicos (B)

Alguns Conceitos Essenciais (para Filosofia)

Retirados do "Glossário de Termos Gregos"

Introdução à História da Filosofia - Marilena Chauí


- Eiróneia: Ação de interrogar fingindo ignorância. É a primeira parte do método socrático, quando Sócrates interroga o interlocutor como se nada soubesse do assunto discutido.

- Hýbris: Tudo o que ultrapassa a medida, excesso, desmedida; em geral, indica algo impetuoso, desenfreado, violento, um ardor excessivo.

Nos seres humanos é insolência, orgulho, soberba, presunção.

- Sophrosýne: Estado de saúde e perfeição do corpo e do espírito. Moderação, temperança, bom senso, prudência, frugalidade.

O verbo sophronízo significa: tornar moderado, temperante, prudente; aprender a conter desejos, impulsos e paixões.

Sophronéo é ser sóbrio, modesto, simples, temperante, moderado nos apetites e desejos.

Estas palavras se derivam de sáos: intacto, bem conservado, são e salvo; alguém seguro com quem se pode contar sempre de maneira certa.

A sophrosýne é o ideal ético do sábio, pois significa a integridade física e psíquica daquele que sabe moderar seus apetites e desejos e pratica a phrónesis.

- Hormé: Assalto, ataque, impulso violento, ímpeto, ardor, instinto, desejo.

Vem do verbo ormáo: empurrar, pôr em movimento, iniciar uma guerra com o primeiro ataque, lançar-se na direção de alguma coisa, precipitar-se sobre alguma coisa para agarrá-la.

Este verbo indica um movimento forte ou violento na direção de alguma coisa para possuí-la, atacá-la, agarrá-la.

Hormé é o desejo como apetite natural, instinto, impulso. Ver órexis.

- Órexis: Apetite, desejo, ação de tender para alguma coisa.

O verbo órego significa: tender, estender, oferecer, apresentar, dar, estender-se, alongar-se, agarrar com as mãos, estender as mãos para agarrar, visar a, aspirar a, querer alcançar algo, tocar, expandir-se de alegria.

Aparentemente, órexis seria o mesmo que hormé (ver hormé), mas hormé é o desejo como instinto quase incontrolável que é suscitado pela presença de algo externo enquanto órexis é o desejo como um apetite vindo do interior daquele que deseja alguma coisa, suscitado no próprio desejante, algo que faz parte da natureza do desejante.

- Arithmós: Inicialmente, grande quantidade a ser arranjada ou ordenada.

A seguir, número, significando o ordenamento harmonioso ou harmonia proporcional das coisas bem ordenadas.

A aritmética é a ciência dos números, entendidos como ordenação harmoniosa e proporcional das coisas numeradas ou arranjadas racionalmente.

- Kairós: Em sentido amplo, significa justa medida ou medida conveniente.

Com relação ao tempo, significa momento oportuno, momento certo, tempo favorável, tempo certo, instante favorável; boa ocasião, oportunidade, circunstância favorável ou oportuna.

É o tempo como algo rápido e efêmero que deve ser agarrado no momento certo, no instante exato, porque, do contrário, a ação não poderá ter sucesso e fracassará.

- Dianóia / Dianóesis: Raciocínio, pensamento que opera por inferência ou por etapas até chegar à conclusão verdadeira, raciocínio dedutivo e/ou indutivo. Para melhor compreensão, ver nôus, nóesis.

É o conhecimento discursivo ou racional como atividade da inteligência na ciência, diferente da intuição direta e imediata das idéias.

Faculdade de pensar como reflexão, meditação, disposição atenta da inteligência, raciocínio.

- Noûs (ou nóos): Faculdade de pensar, inteligência, espírito, pensamento, intelecto, reflexão, intenção racional, maneira de ver pelo pensamento, sentido racional de um discurso.

O verbo noéo significa: colocar no espírito, refletir, compreender, meditar; ter bom senso ou razão; ter um sentido ou uma significação.

O substantivo nóema significa: fonte do pensamento ou da inteligência, reflexão, projeto, desígnio.

O substantivo nóesis significa: ação de colocar no espírito, concepção, inteligência ou compreensão de alguma coisa, faculdade de pensar, espírito.

Opõe-se a aísthesis (conhecimento através dos sentidos, sensibilidade).

Anaxágoras designa como nôus o ser inteligente que põe a natureza em movimento e faz existir o kósmos.

Com Platão e Aristóteles nôus, noésis, nóema, nóia indicam o intelecto e a atividade intelectual; nóesis significa a intuição intelectual, o conhecimento direto e imediato da verdade de uma essência ou de um princípio.

- Aísthesis: Percepção pelos sentidos, sensação; percepção pela inteligência, sensibilidade ou o conhecimento sensível-sensorial; órgãos dos sentidos.

Aistherikós; que tem a faculdade de sentir, de perceber pelos sentidos.

- Enérgeia: Força em ação, força em ato, atividade (por oposição a dýnamis, que é a força potencial).

O verbo energéo significa: agir, produzir, realizar, executar, dirigir ativamente, agir sobre alguma coisa, operar.

Em Aristóteles, a enérgeia é própria da forma, daquilo que a coisa é em seu presente ou atualidade.

- Dýnamis: Aptidão, capacidade, faculdade, potencialidade ou possibilidade para alguma coisa.

Força da natureza, força da moral, fecundidade do solo, eficácia de um remédio, valor de uma moeda, valor ou significado de uma palavra.

Força militar. Força e poder para influenciar o curso de alguma coisa. É da mesma raiz do verbo dýnamai, que significa:

1.) ter poder para, ter capacidade e autoridade para;

2.) ter valor, ter significação;

3.) na matemática: elevar um número ao quadrado, ao cubo, aumentando sua potência;

4.) potência.

Quando usado como verbo impessoal significa “é possível”. A dýnamis se refere a um poder, a uma força ou potência de alguém ou de alguma coisa a quem torna possível certas ações. É possibilidade ou capacidade contida na natureza da coisa ou da pessoa.

Em Aristóteles, significa aquilo que um ser pode vir a tornar-se no tempo, graças a uma potencialidade que lhe é própria. Na filosofia aristotélica, é a razão e racionalidade do devir, o poder para ser, fazer ou tornar-se alguma coisa.

A Liberal Decalogue - Bertrand Russell

Bertrand Russell, em sua Autobiografia(1951), propôs uma interessante
"nova forma" ou "novo jeito" provisório de "dever", não com a finalidade de contradizê-lo, contrapor-lo ou combatê-lo - o método cristão - , mas como o próprio não-convencional autor do mesmo diz, uma modalidade diversa para apenas "completá-lo".

Este "Decálogo Liberal" apareceu pela primeira vez no final do artigo "A melhor resposta ao fanatismo: Liberalismo" na New York Times Magazine (16/Dez/1951). Foi então incluído em The Autobiography of Bertrand Russell, vol. 3, 1944-1967.

Vou o deixar na versão íntegra em inglês, pois a compreensão do tal parece não gerar problemas, dada a autenticidade, simplicidade e clareza do decálogo. Para qualquer possível problema, o Google provavelmente o traduzirá em 1 segundo.


A Liberal Decalogue

1. Do not feel absolutely certain of anything.

2. Do not think it worth while to proceed by concealing evidence, for the evidence is sure to come to light.

3. Never try to discourage thinking for you are sure to succeed.

4. When you meet with opposition, even if it should be from your husband or your children, endeavour to overcome it by argument and not by authority, for a victory dependent upon authority is unreal and illusory.

5. Have no respect for the authority of others, for there are always contrary authorities to be found.

6. Do not use power to suppress opinions you think pernicious, for if you do the opinions will suppress you.

7. Do not fear to be eccentric in opinion, for every opinion now accepted was once eccentric.

8. Find more pleasure in intelligent dissent that in passive agreement, for, if you value intelligence as you should, the former implies a deeper agreement than the latter.

9. Be scrupulously truthful, even if the truth is inconvenient, for it is more inconvenient when you try to conceal it.

10. Do not feel envious of the happiness of those who live in a fool's paradise, for only a fool will think that it is happiness.

Gottlob Frege - Biografia Ornamentada

Frege -
Biografia Brevemente Ornamentada


Datas Importantes:

1848 - nasce em 8 de novembro em Wismar, Mecklenburg-Schwerin.

1869 - frequenta a Universidade de Jena.

1871 - frequenta a Universidade de Göttingen.

1873 - doutor em Matemática (Geometria), atingiu em Göttingen.

1874 - habilitação em Jena, professor particular.

1879 - Professor Extraordinarius em Jena.

1896 - Ordentlicher Honorarprofessor em Jena.

1917 ou 1918 - se aposenta.

1925 - falece em 26 de julho em Bad Kleinen (Mecklenburg-Vorpommern).

Friedrich Ludwig Gottlob Frege nascido em Wismar no Estado de Mecklenburg-Schwerin (o alemão moderno estado de Mecklemburgo-Pomerânia Ocidental) a 8 de novembro de 1848, e morreu em Bad Kleinen, 26 de julho de 1925. Foi um matemático, lógico e filósofo alemão.

Trabalhando na fronteira entre a Filosofia e a Matemática, Frege foi um dos criadores da Lógica Matemática Moderna e da Filosofia Analítica, principalmente focando seus trabalhos sobre Linguagem e Matemática. Considerado atualmente um dos maiores lógicos de todos os tempos, ao lado de Aristóteles e Bertrand Russell.

Frege foi pouco conhecido durante a sua vida. Essencialmente ignorado pelo mundo intelectual do seu tempo quando publicados seus artigos, foram mais tarde intensamente propagados por Giuseppe Peano e pelos escritos de seu aluno Rudolf Carnap e outros admiradores, especialmente Bertrand Russell, que ajudaram a introduzir seu trabalho para gerações posteriores de lógicos e filósofos.

Seu pai, Karl Alexander Frege, foi o fundador e diretor de uma escola para meninas, até sua morte em 1866. Posteriormente, a escola foi dirigida pela mãe de Frege, Auguste Wilhelmine Sophie Frege (Bialloblotzky, aparentemente de descendência polonesa).

Logo na infância, Frege teve contato com a Filosofia, dos quais deverão nortear a sua futura carreira científica. Por exemplo, seu pai escreveu um livro sobre o idioma alemão para crianças de 9 a 13 anos, a primeira seção tratou da estrutura e da lógica da linguagem.

Frege estudou em um ginásio em Wismar, e graduou-se na idade de 15 anos. Seu professor, Leo Sachse (e também poeta) desempenhou o papel mais importante na determinação da futura carreira científica de Frege, incentivando-o a continuar seus estudos na Universidade de Jena.

Matriculou-se na Universidade de Jena na primavera de 1869, como um cidadão da Alemanha do Norte. Nos quatro semestres de seus estudos, ele atendeu cerca de vinte cursos de palestras, a maioria deles em Matemática e Física.

Seu professor mais importante foi Ernst Abbe (físico, matemático e inventor). Abbe deu palestras sobre a Teoria da Gravidade, Galvanismo e Eletrodinâmica, a Teoria de Funções de uma Variável Complexa, as aplicações da Física, as Divisões selecionando Mecânica, e Mecânica dos Sólidos. Abbe era mais do que um professor para Frege. Era um amigo de confiança e, como diretor da fabricante Zeiss - Óptica, ele estava em uma posição de grande influência para a carreira de Frege. Após a formatura de Frege, foi com ele que entrou em mais correspondência.

Alguns outros professores notáveis foram Karl Snell (temas: utilização da Análise Infinitesimal na Geometria, Geometria Analítica de Aviões, Mecânica Analítica, Ótica, Bases Físicas da Mecânica); Hermann Schäffer (Geometria Analítica, Física aplicada, Análise Algébrica no telégrafo e em outras máquinas eletrônicas, e o famoso filósofo, Kuno Fischer (História da Filosofia Crítico-Kantiana).

Começando em 1871, Frege prosseguiu seus estudos em Göttingen, a principal Universidade de Matemática em territórios de língua alemã, onde frequentou as aulas de Alfred Clebsch (Geometria Analítica), Ernst Christian Julius Schering (Teoria da Função), Wilhelm Weber (físicos, Física Aplicada), Eduard Riecke (Teoria da Eletricidade) e Rudolf Hermann Lotze (Filosofia da Religião). Muitas das doutrinas filosóficas do Frege maduro tem paralelos na de Lotze, onde sido objeto de debate acadêmico, se houve ou não uma influência direta sobre as opiniões de Frege, decorrentes das teorias e idéias proferidas nas palestras de Lotze.

Tornou-se professor de Matemática em Jena, onde lecionou primeiro como docente e, a partir de 1896, como catedrático, onde permaneceu até sua morte. Em 1879 publicou Begriffsschrift – 1879, Ideografia (Ideography) – é

uma tradução sugerida em carta pelo próprio autor, outra opção seria Notação Conceptual, marcou um ponto de viragem na história da Lógica onde, pela primeira vez, se apresentava um sistema matemático lógico no sentido moderno. O Begriffsschrift quebrou com o paradigma até então de lógica, incluindo um tratamento rigoroso das idéias de funções e variáveis. Frege queria mostrar que a Matemática surgiu a partir da lógica, mas ao fazê-lo, produziu teorias e técnicas elaboradas que o levou muito além da lógica silogística aristotélica e estóica proposicional que tinha chegado até ele até então pela, na tradição lógica.

Em parte, como já mencionado, incompreendido por seus contemporâneos, tanto filósofos como matemáticos, Frege prosseguiu seus estudos e publicou, em 1884, Die Grundlagen der Arithmetik (Os Fundamentos da Aritmética), obra-prima filosófica que, no entanto, sofreu uma demolidora crítica por parte de Georg Cantor, justamente um dos matemáticos cujas idéias se aproximavam mais das suas.

Em 1903 publicou o segundo volume de Grundgesetze der Arithmetik (Leis básicas da Aritmética), em que expunha um sistema lógico no qual seu contemporâneo e admirador Bertrand Russell encontrou uma contradição, que ficou conhecida como o paradoxo de Russell. Esse episódio impactou profundamente a vida produtiva de Frege.

Segundo Russell, apesar da natureza de suas descobertas marcarem época, sua obra permaneceu na obscuridade até 1903, quando o próprio filósofo e matemático inglês chamou atenção para a relevância dos escritos. O grande contributo de Frege para a lógica matemática foi o criação de um sistema de representação simbólica (Begriffsschrift, Conceitografia ou Ideografia) para representar formalmente a estrutura dos enunciados lógicos e suas relações, e a contribuição para a implementação do Cálculo dos Predicados.

Esse parte da decomposição funcional da estrutura interna das proposições (frases), em parte substituindo a velha dicotomia sujeito-predicado, herdada da tradição Lógica Aristotélica, pela oposição matemática função-argumento e da articulação do conceito de quantificação (implícito na lógica clássica da generalidade), tornado assim possível a sua manipulação em regras de dedução formal. As expressões "para todo o x", "existe um x", que denotam operações de quantificação sobre variáveis têm na obra de Frege uma de suas origens.

Ao contrário de Aristóteles, e mesmo de Boole, que procuravam identificar as formas válidas de argumento, e as assim chamadas "Leis do Pensamento", a preocupação básica de Frege era a sistematização do raciocínio matemático, ou dito de outramaneira, encontrar uma caracterização precisa do que é uma “Demonstração Matemática”. Frege havia notado que os matemáticos da época frequentemente cometiam erros em suas demonstrações, supondo assim que certos teoremas estavam demonstrados, quando na verdade não estavam. Para corrigir isso, Frege procurou formalizar as regras de demonstração, iniciando com regras elementares, bem simples, sobre cuja aplicação não houvesse dúvidas. O resultado que revolucionou a Lógica foi o desenvolvimento do Cálculo de Predicados (ou Lógica de Predicados).

Na verdade, ele inventou a chamada lógica de predicados axiomáticos, em grande parte graças à sua invenção de variáveis quantificadas, que eventualmente tornou-se onipresente na Matemática e na Lógica, e resolveu o problema da generalidade múltipla. A Lógica anterior havia lidado com as constantes lógicas, ou condicional “se ... então ...”, negação, particulares e totais, mas iterações destas operações, especialmente "alguns" e "todos", foram pouco conhecidas até mesmo a distinção entre um par de frases como "cada garoto ama uma garota" e "algumas garotas são amadas por todos os garotos" eram capaz de serem representados de forma muito artificial e inconsistente, enquanto que o formalismo de Frege não tinha dificuldade em expressar as diferentes leituras de "cada garoto ama uma garota que ama um rapaz que ama uma garota" e frases semelhantes, em paralelo completo com seu tratamento.

É frequentemente observado que a lógica de Aristóteles é incapaz de representar até mesmo as inferências mais elementares da Geometria de Euclides, mas a notação de Frege "conceitual" pode representar inferências envolvendo indefinidamente complexos de demonstrações matemáticas. A análise dos conceitos lógicos e as máquinas de formalização que é essencial para a teoria de Bertrand Russell das descrições e Principia Mathematica (com Alfred North Whitehead), e aos teoremas da incompletude de Gödel, e com a teoria de Alfred Tarski da “Verdade”, é em última análise, devida a Frege.

Um dos propósitos declarados de Frege era isolar genuinamente princípios lógicos de inferência, de modo que a representação adequada da prova matemática, seria sem nenhum recurso ponto a "intuição". Se havia um elemento intuitivo, era para ser isolado e representado separadamente, como um axioma: a partir daí, a prova era para ser pura e sem lógica, exibindo esta possibilidade. O objetivo maior de Frege era defender a idéia de que a Aritmética é um ramo da Lógica, uma visão conhecida como logicismo: ao contrário da Geometria, Aritmética era para ser mostrado para ter qualquer base na "intuição", e não há necessidade de não axiomas lógicos. Já em 1879 o Begriffsschrift vio com importantes teoremas preliminares, por exemplo, uma forma generalizada de indução matemática, foi obtida dentro do que Frege entende-se a Lógica Pura.

Essa idéia foi formulada em termos não-simbólicos em seus Fundamentos da Aritmética de 1884. Mais tarde, nas Leis Básicas da Aritmética (Grundgesetze der Arithmetik – 1893, 1903), Frege tentou obter, pelo uso de seu simbolismo, todas as leis da Aritmética de axiomas afirmando as como origem lógica. A maioria destes axiomas foram realizados ao longo de sua Begriffsschrift, embora não sem algumas mudanças significativas. O princípio de uma nova visão verdadeiramente relevante foi uma chamada Lei Básica V: o valor "intervalo" da função f(x) é o mesmo que o valor "intervalo" da função g(x) se e somente se “para todo x / qualquer que seja x” (quantificação universal): x [f (x) = g (x)].

O caso crucial da lei pode ser formulada em notação moderna como se segue. Seja (x |) Fx identificar a extensão do Fx predicado, isto é, o conjunto de todos os Fs, e similarmente para Gx. Em seguida, Lei Básica V, diz que os predicados Fx e Gx têm a mesma extensão se para todo x [Fx ↔ Gx]. O conjunto de Fs é o mesmo que o conjunto de Gs apenas no caso de F é cada um, e cada um do G é um F. O caso é especial porque o que está aqui sendo chamado a extensão de um predicado, ou um conjunto, é apenas um tipo de "valor-range" – agregado – de uma função.

Tyler Burge, intérprete de Frege, distingue três noções de sentido (Sinn) na obra de Frege: 1.) o modo de apresentação (contendo valor informativo) associado a uma expressão; 2.) o determinante da referência/denotação associada à expressão no sentido especificado à referência de um termo singular; 3.) o que providencia entidades a serem denotadas em contextos oblíquos.

Em um episódio famoso, Bertrand Russell escreveu a Frege, assim como quando o vol. 2 do Grundgesetze estava prestes a ir para a imprensa em 1903, mostrando que o paradoxo de Russell poderia ser assim derivado da Lei Básica de Frege V. É fácil definir a relação de pertença a um conjunto ou ampliação no sistema de Frege, Russell, em seguida, chamou a atenção para "o conjunto de coisas x tais que x não é um membro de x". O sistema da Grundgesetze implica tanto que o tal conjunto caracteriza-se, assim, não sendo um membro de si mesma, e também sendo, portanto, inconsistente. Frege escreveu um precipitado de última hora apêndice, ao vol. 2, derivando a contradição e propõe a eliminá-lo através da modificação da Lei Básica V. Esta carta e resposta de Frege são traduzidas para o inglês em Jean van Heijenoort 1967.

Solução proposta de Frege foi posteriormente demonstrada que significa que há apenas um objeto no universo de discurso e, portanto, aquele não vale nada (na verdade, isto faria para uma contradição no sistema de Frege, se tivesse axiomatizada a idéia, fundamental para a sua discussão, que o verdadeiro e o falso são objetos distintos, por exemplo, Dummett 1973), mas o trabalho recente mostrou que a maior parte do programa do Grundgesetze pode ser recuperado e expandido de outras formas.

Frege foi um dos fundadores da Filosofia Analítica, principalmente por causa de suas contribuições à filosofia da linguagem, incluindo a:

- Função de Análise no Argumento da Proposição;

- Distinção entre Conceito e Objeto (Begriff und Gegenstand);

- Princípio da Composicionalidade;

- Princípio do Contexto;

- Distinção entre o Sentido e Referência (Sinn und Bedeutung) de nomes e de outras expressões, por vezes dito que envolve uma teoria da referência mediada.

Como um filósofo da Matemática, Frege atacou o recurso a explicações psicologisto-mentais do conteúdo do acordo no significado das sentenças. Seu propósito original era muito longe de responder a perguntas gerais sobre o significado, em vez disso, desenvolveu a sua lógica para explorar os fundamentos da Aritmética, empresa de responder a perguntas como "O que é um número?” ou “O número de objetos não-palavras (“um”,”dois” etc.) ...referem-se?”. Mas, na persecução destes assuntos, ele finalmente encontrou-se analisar e explicar o significado que é, e assim chegou a várias conclusões que se mostraram altamente consequentes para o curso posterior da Filosofia Analítica e Filosofia da Linguagem.

Em "Sobre o Sentido e a Referência" (1892) Frege apresenta um paradoxo envolvendo Semântica e Epistemologia, e também uma solução para o mesmo. O paradoxo envolve sinônimos e a possibilidade de uma pessoa desconhecer a relação de sinonímia.

Vejamos um exemplo. Os nomes "Cícero" e "Túlio" designam exatamente a mesma pessoa, o filósofo e orador romano autor de De Finibus. Todavia, as frases "Cícero é Cícero" e "Cícero é Túlio" não tem o mesmo valor cognitivo. "Cícero é Cícero" é uma frase desinteressante que simplesmente expressa a identidade de uma coisa consigo mesma (lei de Leibniz). "Cícero é Túlio", por outro lado, tem valor informativo. Uma pessoa que descobre que "Cícero" e "Túlio" designam a mesma coisa não está meramente descobrindo a relação de identidade que uma coisa tem consigo mesma, pois isso ela já sabia, ao menos implicitamente.

Mas, como podem as duas frases serem diferentes do ponto de vista informativo, visto que os nomes envolvidos designam a mesma coisa?

A solução proposta por Frege para o problema consiste em articular o significado dos designadores em dois elementos, o sentido (Sinn) e a referência (Bedeutung). Essa posição de Frege foi um dos alvos de Saul Kripke em Naming and Necessity.

Os nomes "Cícero" e "Túlio" têm a mesma referência, o filósofo romano. Mas não têm o mesmo sentido, ou valor cognitivo. É por isso que quem diz "Cícero é Túlio" não está dizendo algo trivial.

O assim chamado quebra-cabeça de Frege representa um dos desafios ao millianismo a respeito dos nomes: a posição segundo a qual a contribuição de um nome para o conteúdo das frases em que ocorrem é seu referente.

Fontes:

plato.stanford.edu/entries/frege/

plato.stanford.edu/entries/frege-logic/

iep.utm.edu/f/frege.htm

utm.edu/research/iep/f/freg-lan.htm