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quarta-feira, 2 de dezembro de 2009

Alguns Termos Básicos (C)

Alguns Conceitos Essenciais (para Filosofia)

Retirados do "Glossário de Termos Gregos"

Introdução à História da Filosofia - Marilena Chauí


- Phainómenon: O que aparece, o que é visível, o que brilha diante dos olhos, fenômeno.

Vem do verbo phaíno: fazer brilhar, fazer ver, indicar, fazer conhecer, dar a conhecer, anunciar, pressagiar, explicar, mostrar-se, aparecer.

O fenômeno é aquilo que aparece e se mostra aos nossos olhos e pode ser conhecido. É o objeto do conhecimento perceptivo, visual.

- Krátos: Força ou vigor do corpo, potência da força corporal; por extensão: força ou potência de dominação.

A seguir, força ou potência de um chefe ou de um rei; autoridade soberana; finalmente: poder.

O verbo kráteo significa: ser forte e potente; por extensão: ser senhor, dominar, reinar, governar, comandar, ordenar, tornar-se senhor, assenhorar-se do poder.

Ainda: vencer uma luta, vencer numa disputa, vencer numa argumentação; prevalecer, ter a força de lei, ter a força de um costume; ter força de lei, ter a força de um costume; ter mais razão do que outro.

A palavra krátos dá origem ao elemento krátia, empregado na composição de palavras que designam quem tem o poder ou o governo num regime político.

Assim, uma oligarquia pode ser uma aristokratía (áristos: o mais excelente, o melhor, o mais nobre), isto é, o governo ideal dos melhores e mais poderosos, ou pode ser uma ploutokratia (ploûtos: riqueza, fortuna em ouro, prata e dinheiro), isto é, o governo dos mais ricos. A demokratía é o governo do démos, o poder popular ou governo de todos os cidadãos.

- Apáte: Engano, logro, fraude, traição, artifício, astúcia, ardil; sedução mentirosa através do discurso ou da oratória e que ilude nossos verdadeiros desejos; mentira pela palavra sedutora que nos lisonjeia e nos adula; adulação. Ver peithó.

- Peithó: Faculdade ou talento para persuadir, eloquência persuasiva, discurso persuasivo, doce e suave persuasão.

O verbo peithó significa: persuadir, convencer para que alguém faça de bom grado alguma coisa; seduzir por palavras, súplicas e preces; apaziguar e suavizar por palavras e súplicas; excitar e estimular alguém a aceitar uma opinião ou a fazer alguma coisa; confiar, entregar-se, fiar-se, deixar-se persuadir e convencer, ceder à palavra de alguém, crer na palavra de alguém.
Peithó não pretende enganar com seduções falsas e por isso se opõe a apáte (ver apáte), sedução mentirosa.

Peithó e apáte são centrais na retórica.

Personificada, Peithó é a deusa da boa persuasão e da boa eloquência.

- Kínesis: Movimento; ação de mover ou de mover-se; mudança; agitação da alma; movimento da dança; movimentos da alma.

O verbo kinéo significa mover, agitar, revolver, pôr em movimento, deslocar, mudar de lugar, perturbar, empurrar, excitar, estimular, mudar, modificar, alterar.

A palavra movimento, em grego, indica toda modalidade de alteração ou de mudança: mudança de qualidade, de quantidade, de lugar, de tempo, de ânimo; é o devir como nascimento, desenvolvimento e perecimento de um ser e todas as mudanças sofridas por ele ou causadas por ele.

A locomoção é um tipo de kínesis, mas não é todo o movimento. Envelhecer, rejuvenescer, amarelecer, diminuir, aumentar, alegrar-se, entristecer-se etc., são kinéseis (movimentos).

- Areté: Mérito ou qualidade nos quais alguém é o mais excelente; excelência do corpo; excelência da alma e da inteligência.

Virtude é sua tradução costumeira porque foi traduzida para o latim por virtus, que significa, inicialmente, força e coragem e só depois, excelência e mérito moral e intelectual.

A areté indica um conjunto de valores (físicos, psíquicos, morais, éticos, políticos) que forma um ideal de excelência e de valor humano para os membros da sociedade, orientando o modo como devem ser educados e as instituições sociais nas quais esses valores se realizam.

A areté se refere à formação do áristos: o melhor, o mais nobre, o homem excelente.

- Eudaimonía: Felicidade, prosperidade, abundância de bens.

O verbo eudaimonéo significa: ter êxito, conseguir, ser feliz.

Esta palavra é composta pelo prefixo eu- que indica: de origem nobre, algo bom ou justo, algo benevolente, em boa ordem, boa causa, a bondade, a perfeição – em suma, eu- dá um sentido positivo, bom, belo, justo às palavras que o acompanham.

Daímonia (ver daímon) faz parte de um conjunto de palavras ligadas à relação entre as divindades e os homens: inspirações, presságios, prodígios, benfeitorias divinas para com os homens.

Como a ação dos deuses também pode ser malévola e vingativa, passa-se ao emprego do prefixo eu- e à palavra eudomanía para significar exclusivamente a ação boa, benevolente, favorável.

A seguir, a palavra passa a referir-se às qualidades positivas e excelentes de alguém, isto é, passa a referir-se apenas aos próprios homens como capazes de felicidade e capazes de uma relação ativa e positiva com o divino.

Eudaimonía é a felicidade como perfeição ética, como resultado da vida virtuosa. Relaciona-se com eupraxía: a ação boa, bela e justa; a ação virtuosa.

- Daímon: Em sentido próprio: um deus, uma deusa, uma divindade; potência divina; donde: destino, sorte, infortúnio.

Depois de Homero: deuses menores, almas dos mortos, espíritos inferiores, demônio no sentido de entidades tutelares e protetoras dos vivos.

Por extensão: um espírito, um gênio ligado a uma cidade com seu protetor, ou a uma pessoa, definindo seu caráter e seu destino; gênio bom, gênio mau (em português, este sentido permanece quando nos referimos ao bom ou mau gênio / caráter de alguém).

- Demiourgós: Palavra formada de démos, povo, e órgon, ação, obra, trabalho.

Demiurgo é todo aquele que realiza um trabalho ou uma obra para outros, exercendo um ofício manual.

Por extensão: todo aquele que produz ou cria alguma coisa (orador, médico, carpinteiro, escultor, dançarino, músico etc.). É o artífice ou artesão. Como a primeira obra, numa cidade, é a produção das leis, o primeiro magistrado era chamado de demiurgo. Usa-se também para referir-se à divindade criadora ou artífice do mundo.

O verbo demiourgéo, derivado de demiourgós, significa trabalhar para o povo, e demiourgía é o trabalho manual ou artesanal feito para o público, fabricação, produção.

- Semeíon: Signo ou marca distintiva pela qual se reconhece alguém ou alguma coisa; donde signo celeste (as constelações), selo ou sinete (de um rei, de um chefe militar, de um sacerdote), bandeira, placa em estradas (para indicar a direção) e em edifícios (para indicar a finalidade), comunicação naval por meio de bandeirolas e gestos.

Semeíon é também o sinal ou vestígio deixado por animais, donde indício e, na linguagem judiciária, produzir provas oferecendo os indícios; na linguagem médica, indício ou sinal visível de alguma coisa ou de algum acontecimento visível.

Sema é signo ou marca e sinal. O verbo semaíno significa:

1.) marcar com um signo ou com um sinal distintivo para reconhecimento;
2.) manifestar-se sob a forma de um sinal ou de um sintoma.

segunda-feira, 23 de novembro de 2009

Alguns Termos Básicos (B)

Alguns Conceitos Essenciais (para Filosofia)

Retirados do "Glossário de Termos Gregos"

Introdução à História da Filosofia - Marilena Chauí


- Eiróneia: Ação de interrogar fingindo ignorância. É a primeira parte do método socrático, quando Sócrates interroga o interlocutor como se nada soubesse do assunto discutido.

- Hýbris: Tudo o que ultrapassa a medida, excesso, desmedida; em geral, indica algo impetuoso, desenfreado, violento, um ardor excessivo.

Nos seres humanos é insolência, orgulho, soberba, presunção.

- Sophrosýne: Estado de saúde e perfeição do corpo e do espírito. Moderação, temperança, bom senso, prudência, frugalidade.

O verbo sophronízo significa: tornar moderado, temperante, prudente; aprender a conter desejos, impulsos e paixões.

Sophronéo é ser sóbrio, modesto, simples, temperante, moderado nos apetites e desejos.

Estas palavras se derivam de sáos: intacto, bem conservado, são e salvo; alguém seguro com quem se pode contar sempre de maneira certa.

A sophrosýne é o ideal ético do sábio, pois significa a integridade física e psíquica daquele que sabe moderar seus apetites e desejos e pratica a phrónesis.

- Hormé: Assalto, ataque, impulso violento, ímpeto, ardor, instinto, desejo.

Vem do verbo ormáo: empurrar, pôr em movimento, iniciar uma guerra com o primeiro ataque, lançar-se na direção de alguma coisa, precipitar-se sobre alguma coisa para agarrá-la.

Este verbo indica um movimento forte ou violento na direção de alguma coisa para possuí-la, atacá-la, agarrá-la.

Hormé é o desejo como apetite natural, instinto, impulso. Ver órexis.

- Órexis: Apetite, desejo, ação de tender para alguma coisa.

O verbo órego significa: tender, estender, oferecer, apresentar, dar, estender-se, alongar-se, agarrar com as mãos, estender as mãos para agarrar, visar a, aspirar a, querer alcançar algo, tocar, expandir-se de alegria.

Aparentemente, órexis seria o mesmo que hormé (ver hormé), mas hormé é o desejo como instinto quase incontrolável que é suscitado pela presença de algo externo enquanto órexis é o desejo como um apetite vindo do interior daquele que deseja alguma coisa, suscitado no próprio desejante, algo que faz parte da natureza do desejante.

- Arithmós: Inicialmente, grande quantidade a ser arranjada ou ordenada.

A seguir, número, significando o ordenamento harmonioso ou harmonia proporcional das coisas bem ordenadas.

A aritmética é a ciência dos números, entendidos como ordenação harmoniosa e proporcional das coisas numeradas ou arranjadas racionalmente.

- Kairós: Em sentido amplo, significa justa medida ou medida conveniente.

Com relação ao tempo, significa momento oportuno, momento certo, tempo favorável, tempo certo, instante favorável; boa ocasião, oportunidade, circunstância favorável ou oportuna.

É o tempo como algo rápido e efêmero que deve ser agarrado no momento certo, no instante exato, porque, do contrário, a ação não poderá ter sucesso e fracassará.

- Dianóia / Dianóesis: Raciocínio, pensamento que opera por inferência ou por etapas até chegar à conclusão verdadeira, raciocínio dedutivo e/ou indutivo. Para melhor compreensão, ver nôus, nóesis.

É o conhecimento discursivo ou racional como atividade da inteligência na ciência, diferente da intuição direta e imediata das idéias.

Faculdade de pensar como reflexão, meditação, disposição atenta da inteligência, raciocínio.

- Noûs (ou nóos): Faculdade de pensar, inteligência, espírito, pensamento, intelecto, reflexão, intenção racional, maneira de ver pelo pensamento, sentido racional de um discurso.

O verbo noéo significa: colocar no espírito, refletir, compreender, meditar; ter bom senso ou razão; ter um sentido ou uma significação.

O substantivo nóema significa: fonte do pensamento ou da inteligência, reflexão, projeto, desígnio.

O substantivo nóesis significa: ação de colocar no espírito, concepção, inteligência ou compreensão de alguma coisa, faculdade de pensar, espírito.

Opõe-se a aísthesis (conhecimento através dos sentidos, sensibilidade).

Anaxágoras designa como nôus o ser inteligente que põe a natureza em movimento e faz existir o kósmos.

Com Platão e Aristóteles nôus, noésis, nóema, nóia indicam o intelecto e a atividade intelectual; nóesis significa a intuição intelectual, o conhecimento direto e imediato da verdade de uma essência ou de um princípio.

- Aísthesis: Percepção pelos sentidos, sensação; percepção pela inteligência, sensibilidade ou o conhecimento sensível-sensorial; órgãos dos sentidos.

Aistherikós; que tem a faculdade de sentir, de perceber pelos sentidos.

- Enérgeia: Força em ação, força em ato, atividade (por oposição a dýnamis, que é a força potencial).

O verbo energéo significa: agir, produzir, realizar, executar, dirigir ativamente, agir sobre alguma coisa, operar.

Em Aristóteles, a enérgeia é própria da forma, daquilo que a coisa é em seu presente ou atualidade.

- Dýnamis: Aptidão, capacidade, faculdade, potencialidade ou possibilidade para alguma coisa.

Força da natureza, força da moral, fecundidade do solo, eficácia de um remédio, valor de uma moeda, valor ou significado de uma palavra.

Força militar. Força e poder para influenciar o curso de alguma coisa. É da mesma raiz do verbo dýnamai, que significa:

1.) ter poder para, ter capacidade e autoridade para;

2.) ter valor, ter significação;

3.) na matemática: elevar um número ao quadrado, ao cubo, aumentando sua potência;

4.) potência.

Quando usado como verbo impessoal significa “é possível”. A dýnamis se refere a um poder, a uma força ou potência de alguém ou de alguma coisa a quem torna possível certas ações. É possibilidade ou capacidade contida na natureza da coisa ou da pessoa.

Em Aristóteles, significa aquilo que um ser pode vir a tornar-se no tempo, graças a uma potencialidade que lhe é própria. Na filosofia aristotélica, é a razão e racionalidade do devir, o poder para ser, fazer ou tornar-se alguma coisa.

sexta-feira, 13 de novembro de 2009

Alguns Termos Básicos (A)

Alguns Conceitos Essenciais (para Filosofia)

Retirados do "Glossário de Termos Gregos"

Introdução à História da Filosofia - Marilena Chauí


- Sophía: Sabedoria. Inicialmente significa habilidade manual para as artes e técnicas. A seguir, a sabedoria moral ou prudência do homem razoável e sensato. Finalmente, passa a significar o conhecimento teórico em seu ponto de mais alta perfeição.

O verbo sophízo significa: tornar hábil, prudente, sábio.

- Méthodos: Método, busca, investigação, estudo feito segundo um plano. É composta de metá- e odós (via, caminho, pista, rota; em sentido figurado significa: maneira de fazer, meio para fazer, modo de fazer).

Méthodos significa, portanto, uma investigação que segue um modo ou maneira planejada e determinada para conhecer alguma coisa; procedimento racional para o conhecimento seguindo um percurso fixado.

Methodeúo: seguir de perto, seguir uma pista, caminhar de maneira planejada, usar artifícios e astúcias, é um derivado de méthodos.

- Alétheia: Verdade, realidade. Palavra composta pelo prefixo negativo a- e pelo substantivo léthe (esquecimento). É o não-esquecido, não-perdido, não-oculto; é o lembrado, encontrado, visto, visível, manifesto aos olhos do corpo e ao olho do espírito. É ver a realidade. É uma vidência e uma evidência, na qual a própria realidade se revela, se mostra ou se manifesta a quem conhece.

A palavra grega difere de duas outras que vieram, com ela, formar a idéia ocidental da verdade: a palavra latina veritas, que se refere à veracidade de um relato; e a palavra hebraica emunah, que significa confiança numa palavra divina.

Alethés, o verdadeiro, significa: o não-esquecido, o não-escondido; donde: sincero, veraz, justo, equitável, verídico, franco ou não-dissimulado.

- Syllogismós: Silogismo. Raciocínio cuja conclusão é inferida das premissas.

O verbo syllogízo significa: reunir, juntar, reunir pelo pensamento;

syllogé: reunião, ajuntamento de coisas ou de homens, assembléia para tomar uma decisão ou tirar uma conclusão; e

sýllogos: ação de reunir homens em uma assembléia, de consultar os que estão reunidos; colóquio, conversa; palavra e pensamento dos que estão reunidos; juntar as próprias idéias para pensar.

- Lógos: Esta palavra sintetiza vários significados que, em português, estão separados, mas unidos em grego. Vem do verbo légo (no infinitivo: légein) que significa:

1.) reunir, colher, contar, enumerar, calcular;

2.) narrar, pronunciar, proferir, falar, dizer, declarar, anunciar, nomear claramente, discutir;

3.) pensar, refletir, ordenar;

4.) querer dizer, significar, falar como orador, contar, escolher;

5.) ler em voz alta, recitar, fazer dizer;

Lógos é: palavra, o que se diz, sentença, máxima, exemplo, conversa, assunto da discussão; pensar, inteligência, razão, faculdade de raciocinar; fundamento, causa, princípio, motivo, razão de alguma coisa; argumento, exercício da razão, juízo ou julgamento, bom senso, explicação, narrativa, estudos; valor atribuído a alguma coisa, razão íntima de uma coisa, justificação, analogia.

Lógos reúne em uma só palavra quatro sentidos: linguagem, pensamento ou razão, norma, ou regra, ser ou realidade íntima de alguma coisa. No plural, lógoi, significa: os argumentos, os discursos, os pensamentos, as significações; -logía, que é usado como segundo elemento de vários compostos, indica: conhecimento de, explicação racional de, estudo de.

Diálogo, dialética, lógica, são palavras da mesma família de lógos. O lógos dá a razão, o sentido, o valor, a causa, o fundamento de alguma coisa, o ser da coisa. É também a razão conhecendo as coisas, pensando os seres, a linguagem que diz ou profere as coisas, dizendo o sentido ou o significado delas.

O verbo légo conduz à idéia de linguagem porque significa reunir e contar: falar é reunir sons; ler e escrever é reunir e contar letras; conduz a idéia de pensamento, e razão porque pensar é reunir idéias e raciocinar é contar ou calcular sobre as coisas. Esta unidade de sentidos é o que leva os historiadores da filosofia a considerar que, na filosofia grega, dizer, pensar e ser são a mesma coisa.

- Mýthos: Mito, palavra proferida, discurso, narrativa; rumor; notícia que se espalha, mensagem; conselho, prescrição.

O verbo mythéomai significa: dizer, conversar, contar, narrar, anunciar (um oráculo), designar, nomear, dizer a si mesmo, deliberar em si mesmo. O historiador Heródoto emprega a palavra mýthos para referir-se a relatos por testemunhas, tradição.

Platão e Aristóteles, porém, empregam mýthos para referir-se a narrativas ou relatos fabulosos, portanto, com o sentido de fábula, lenda. Pouco a pouco, mýthos passa a significar o lendário e irreal, ficção, mentira, relato não histórico. Nessa acepção, mýthos opõe-se a lógos.

- Epistéme: Ciência; conhecimento teórico das coisas por meio de raciocínios, provas e demonstrações; conhecimento teórico por meio de conceitos necessários (isto é, daquilo que é impossível que seja diferente do que é; o que não pode ser de outra maneira, ser diferente do que é) e universais (isto é, válidos para todos em todos os tempos e lugares). Opõe-se à empeiría.

O verbo epístamai, da mesma família de epistéme, significa: saber, ser apto ou capaz, ser versado em (portanto, inicialmente, este verbo não distinguia nem separava epistéme e empeiría, mas referia-se a todo conhecimento obtido pela prática ou pela inteligência, referia-se à habilidade).

A seguir, passa a significar: conhecer pelo pensamento, ter um conhecimento por raciocínio e, com Aristóteles, passa a significar investigar cientificamente.

- Empeiría: Experiência, sabedoria adquirida por experiência.

É um conhecimento prático, oposto ao conhecimento teórico.

É o conhecimento técnico que possuem os médicos, artesãos, engenheiros, agrimensores, militares, retóricos, caçadores etc.

- Áskesis: Exercício, prática, ginástica, profissão laboriosa, meditação.

Inicialmente, refere-se à ação laboriosa para trabalhar materiais brutos, a fim de suavizá-los e modelá-los.

A seguir, refere-se ao labor ou trabalho dos ginastas para fortalecer e agilizar o corpo.

Finalmente, por extensão, passou a significar exercícios, práticas, trabalhos espirituais ou de meditação para fortalecer o espírito, moldá-lo, torná-lo ágil e sutil.

Na filosofia, é usado para indicar o processo de elevação espiritual, de desenvolvimento do intelecto sem interferência e sem perturbação dos desejos corporais e dos conhecimentos sensoriais.

- Mesótes: Justo meio, justa medida. Mésos significa: situado no meio, parte do meio ou centro de um corpo, o que fica no centro entre dois extremos.

Na Música, he mése é a nota central da harmonia das cordas da lira, a partir da qual se estabelecem as proporções ou harmonias.

Tó méson é o meio ou centro de um objeto ou de um corpo, de uma assembléia; é o intervalo temporal igual entre dois extremos.

O verbo médo significa: medir, regular, conter na justa medida.

O substantivo médon significa o chefe, o rei, o magistrado ou juiz, aquele que tem autoridade para impor uma medida, uma regra, uma norma.

Mesótes é o termo empregado por Aritóteles para definir a virtude como justo meio entre paixões extremas, como medida ou moderação dos extremos.

- Nómos: Regra, lei, norma.

O primeiro sentido desta palavra é aquilo que se possui por partilha, aquilo que se usa porque atribuído por uma partilha; por extensão: uso, costume, conforme ao uso ou ao costume. Esta conformidade ao costume passa a significar a norma ou regra costumeira de um comportamento de um grupo, as convenções sociais que o grupo estabelece para seus membros.

Mais adiante: opinião geral, máxima geral, regra de conduta.

Por extensão da regra e da máxima geral: uso ou costume com força de lei; ainda: o direito, o que se faz segundo o direito ou conforme ao direito.

Nómos opõe-se a phýsis (ver phýsis): o nómos é o que é por convenção, por acordo e decisão dos humanos, enquanto phýsis é o que é por natureza, por si mesmo independentemente da decisão ou vontade dos homens.

Os sofistas dirão que tudo é pelo nómos, tudo é por convenção.

- Phýsis: Natureza. Possui três sentidos principais:

1.) processo de nascimento, surgimento, crescimento (sentido derivado do verbo phýomai);

2.) disposição espontânea e natureza própria de um ser; características naturais e essenciais de um ser; aquilo que constitui a natureza de um ser;

3.) força originária criadora de todos os seres, responsável pelo surgimento, transformação e perecimento deles.

A phýsis é o fundo inesgotável de onde vem o kósmos; e é o fundo perene para onde regressam todas as coisas, a realidade primeira e a última de todas as coisas. Opõe-se a nómos.