segunda-feira, 23 de novembro de 2009

Gottlob Frege - Biografia Ornamentada

Frege -
Biografia Brevemente Ornamentada


Datas Importantes:

1848 - nasce em 8 de novembro em Wismar, Mecklenburg-Schwerin.

1869 - frequenta a Universidade de Jena.

1871 - frequenta a Universidade de Göttingen.

1873 - doutor em Matemática (Geometria), atingiu em Göttingen.

1874 - habilitação em Jena, professor particular.

1879 - Professor Extraordinarius em Jena.

1896 - Ordentlicher Honorarprofessor em Jena.

1917 ou 1918 - se aposenta.

1925 - falece em 26 de julho em Bad Kleinen (Mecklenburg-Vorpommern).

Friedrich Ludwig Gottlob Frege nascido em Wismar no Estado de Mecklenburg-Schwerin (o alemão moderno estado de Mecklemburgo-Pomerânia Ocidental) a 8 de novembro de 1848, e morreu em Bad Kleinen, 26 de julho de 1925. Foi um matemático, lógico e filósofo alemão.

Trabalhando na fronteira entre a Filosofia e a Matemática, Frege foi um dos criadores da Lógica Matemática Moderna e da Filosofia Analítica, principalmente focando seus trabalhos sobre Linguagem e Matemática. Considerado atualmente um dos maiores lógicos de todos os tempos, ao lado de Aristóteles e Bertrand Russell.

Frege foi pouco conhecido durante a sua vida. Essencialmente ignorado pelo mundo intelectual do seu tempo quando publicados seus artigos, foram mais tarde intensamente propagados por Giuseppe Peano e pelos escritos de seu aluno Rudolf Carnap e outros admiradores, especialmente Bertrand Russell, que ajudaram a introduzir seu trabalho para gerações posteriores de lógicos e filósofos.

Seu pai, Karl Alexander Frege, foi o fundador e diretor de uma escola para meninas, até sua morte em 1866. Posteriormente, a escola foi dirigida pela mãe de Frege, Auguste Wilhelmine Sophie Frege (Bialloblotzky, aparentemente de descendência polonesa).

Logo na infância, Frege teve contato com a Filosofia, dos quais deverão nortear a sua futura carreira científica. Por exemplo, seu pai escreveu um livro sobre o idioma alemão para crianças de 9 a 13 anos, a primeira seção tratou da estrutura e da lógica da linguagem.

Frege estudou em um ginásio em Wismar, e graduou-se na idade de 15 anos. Seu professor, Leo Sachse (e também poeta) desempenhou o papel mais importante na determinação da futura carreira científica de Frege, incentivando-o a continuar seus estudos na Universidade de Jena.

Matriculou-se na Universidade de Jena na primavera de 1869, como um cidadão da Alemanha do Norte. Nos quatro semestres de seus estudos, ele atendeu cerca de vinte cursos de palestras, a maioria deles em Matemática e Física.

Seu professor mais importante foi Ernst Abbe (físico, matemático e inventor). Abbe deu palestras sobre a Teoria da Gravidade, Galvanismo e Eletrodinâmica, a Teoria de Funções de uma Variável Complexa, as aplicações da Física, as Divisões selecionando Mecânica, e Mecânica dos Sólidos. Abbe era mais do que um professor para Frege. Era um amigo de confiança e, como diretor da fabricante Zeiss - Óptica, ele estava em uma posição de grande influência para a carreira de Frege. Após a formatura de Frege, foi com ele que entrou em mais correspondência.

Alguns outros professores notáveis foram Karl Snell (temas: utilização da Análise Infinitesimal na Geometria, Geometria Analítica de Aviões, Mecânica Analítica, Ótica, Bases Físicas da Mecânica); Hermann Schäffer (Geometria Analítica, Física aplicada, Análise Algébrica no telégrafo e em outras máquinas eletrônicas, e o famoso filósofo, Kuno Fischer (História da Filosofia Crítico-Kantiana).

Começando em 1871, Frege prosseguiu seus estudos em Göttingen, a principal Universidade de Matemática em territórios de língua alemã, onde frequentou as aulas de Alfred Clebsch (Geometria Analítica), Ernst Christian Julius Schering (Teoria da Função), Wilhelm Weber (físicos, Física Aplicada), Eduard Riecke (Teoria da Eletricidade) e Rudolf Hermann Lotze (Filosofia da Religião). Muitas das doutrinas filosóficas do Frege maduro tem paralelos na de Lotze, onde sido objeto de debate acadêmico, se houve ou não uma influência direta sobre as opiniões de Frege, decorrentes das teorias e idéias proferidas nas palestras de Lotze.

Tornou-se professor de Matemática em Jena, onde lecionou primeiro como docente e, a partir de 1896, como catedrático, onde permaneceu até sua morte. Em 1879 publicou Begriffsschrift – 1879, Ideografia (Ideography) – é

uma tradução sugerida em carta pelo próprio autor, outra opção seria Notação Conceptual, marcou um ponto de viragem na história da Lógica onde, pela primeira vez, se apresentava um sistema matemático lógico no sentido moderno. O Begriffsschrift quebrou com o paradigma até então de lógica, incluindo um tratamento rigoroso das idéias de funções e variáveis. Frege queria mostrar que a Matemática surgiu a partir da lógica, mas ao fazê-lo, produziu teorias e técnicas elaboradas que o levou muito além da lógica silogística aristotélica e estóica proposicional que tinha chegado até ele até então pela, na tradição lógica.

Em parte, como já mencionado, incompreendido por seus contemporâneos, tanto filósofos como matemáticos, Frege prosseguiu seus estudos e publicou, em 1884, Die Grundlagen der Arithmetik (Os Fundamentos da Aritmética), obra-prima filosófica que, no entanto, sofreu uma demolidora crítica por parte de Georg Cantor, justamente um dos matemáticos cujas idéias se aproximavam mais das suas.

Em 1903 publicou o segundo volume de Grundgesetze der Arithmetik (Leis básicas da Aritmética), em que expunha um sistema lógico no qual seu contemporâneo e admirador Bertrand Russell encontrou uma contradição, que ficou conhecida como o paradoxo de Russell. Esse episódio impactou profundamente a vida produtiva de Frege.

Segundo Russell, apesar da natureza de suas descobertas marcarem época, sua obra permaneceu na obscuridade até 1903, quando o próprio filósofo e matemático inglês chamou atenção para a relevância dos escritos. O grande contributo de Frege para a lógica matemática foi o criação de um sistema de representação simbólica (Begriffsschrift, Conceitografia ou Ideografia) para representar formalmente a estrutura dos enunciados lógicos e suas relações, e a contribuição para a implementação do Cálculo dos Predicados.

Esse parte da decomposição funcional da estrutura interna das proposições (frases), em parte substituindo a velha dicotomia sujeito-predicado, herdada da tradição Lógica Aristotélica, pela oposição matemática função-argumento e da articulação do conceito de quantificação (implícito na lógica clássica da generalidade), tornado assim possível a sua manipulação em regras de dedução formal. As expressões "para todo o x", "existe um x", que denotam operações de quantificação sobre variáveis têm na obra de Frege uma de suas origens.

Ao contrário de Aristóteles, e mesmo de Boole, que procuravam identificar as formas válidas de argumento, e as assim chamadas "Leis do Pensamento", a preocupação básica de Frege era a sistematização do raciocínio matemático, ou dito de outramaneira, encontrar uma caracterização precisa do que é uma “Demonstração Matemática”. Frege havia notado que os matemáticos da época frequentemente cometiam erros em suas demonstrações, supondo assim que certos teoremas estavam demonstrados, quando na verdade não estavam. Para corrigir isso, Frege procurou formalizar as regras de demonstração, iniciando com regras elementares, bem simples, sobre cuja aplicação não houvesse dúvidas. O resultado que revolucionou a Lógica foi o desenvolvimento do Cálculo de Predicados (ou Lógica de Predicados).

Na verdade, ele inventou a chamada lógica de predicados axiomáticos, em grande parte graças à sua invenção de variáveis quantificadas, que eventualmente tornou-se onipresente na Matemática e na Lógica, e resolveu o problema da generalidade múltipla. A Lógica anterior havia lidado com as constantes lógicas, ou condicional “se ... então ...”, negação, particulares e totais, mas iterações destas operações, especialmente "alguns" e "todos", foram pouco conhecidas até mesmo a distinção entre um par de frases como "cada garoto ama uma garota" e "algumas garotas são amadas por todos os garotos" eram capaz de serem representados de forma muito artificial e inconsistente, enquanto que o formalismo de Frege não tinha dificuldade em expressar as diferentes leituras de "cada garoto ama uma garota que ama um rapaz que ama uma garota" e frases semelhantes, em paralelo completo com seu tratamento.

É frequentemente observado que a lógica de Aristóteles é incapaz de representar até mesmo as inferências mais elementares da Geometria de Euclides, mas a notação de Frege "conceitual" pode representar inferências envolvendo indefinidamente complexos de demonstrações matemáticas. A análise dos conceitos lógicos e as máquinas de formalização que é essencial para a teoria de Bertrand Russell das descrições e Principia Mathematica (com Alfred North Whitehead), e aos teoremas da incompletude de Gödel, e com a teoria de Alfred Tarski da “Verdade”, é em última análise, devida a Frege.

Um dos propósitos declarados de Frege era isolar genuinamente princípios lógicos de inferência, de modo que a representação adequada da prova matemática, seria sem nenhum recurso ponto a "intuição". Se havia um elemento intuitivo, era para ser isolado e representado separadamente, como um axioma: a partir daí, a prova era para ser pura e sem lógica, exibindo esta possibilidade. O objetivo maior de Frege era defender a idéia de que a Aritmética é um ramo da Lógica, uma visão conhecida como logicismo: ao contrário da Geometria, Aritmética era para ser mostrado para ter qualquer base na "intuição", e não há necessidade de não axiomas lógicos. Já em 1879 o Begriffsschrift vio com importantes teoremas preliminares, por exemplo, uma forma generalizada de indução matemática, foi obtida dentro do que Frege entende-se a Lógica Pura.

Essa idéia foi formulada em termos não-simbólicos em seus Fundamentos da Aritmética de 1884. Mais tarde, nas Leis Básicas da Aritmética (Grundgesetze der Arithmetik – 1893, 1903), Frege tentou obter, pelo uso de seu simbolismo, todas as leis da Aritmética de axiomas afirmando as como origem lógica. A maioria destes axiomas foram realizados ao longo de sua Begriffsschrift, embora não sem algumas mudanças significativas. O princípio de uma nova visão verdadeiramente relevante foi uma chamada Lei Básica V: o valor "intervalo" da função f(x) é o mesmo que o valor "intervalo" da função g(x) se e somente se “para todo x / qualquer que seja x” (quantificação universal): x [f (x) = g (x)].

O caso crucial da lei pode ser formulada em notação moderna como se segue. Seja (x |) Fx identificar a extensão do Fx predicado, isto é, o conjunto de todos os Fs, e similarmente para Gx. Em seguida, Lei Básica V, diz que os predicados Fx e Gx têm a mesma extensão se para todo x [Fx ↔ Gx]. O conjunto de Fs é o mesmo que o conjunto de Gs apenas no caso de F é cada um, e cada um do G é um F. O caso é especial porque o que está aqui sendo chamado a extensão de um predicado, ou um conjunto, é apenas um tipo de "valor-range" – agregado – de uma função.

Tyler Burge, intérprete de Frege, distingue três noções de sentido (Sinn) na obra de Frege: 1.) o modo de apresentação (contendo valor informativo) associado a uma expressão; 2.) o determinante da referência/denotação associada à expressão no sentido especificado à referência de um termo singular; 3.) o que providencia entidades a serem denotadas em contextos oblíquos.

Em um episódio famoso, Bertrand Russell escreveu a Frege, assim como quando o vol. 2 do Grundgesetze estava prestes a ir para a imprensa em 1903, mostrando que o paradoxo de Russell poderia ser assim derivado da Lei Básica de Frege V. É fácil definir a relação de pertença a um conjunto ou ampliação no sistema de Frege, Russell, em seguida, chamou a atenção para "o conjunto de coisas x tais que x não é um membro de x". O sistema da Grundgesetze implica tanto que o tal conjunto caracteriza-se, assim, não sendo um membro de si mesma, e também sendo, portanto, inconsistente. Frege escreveu um precipitado de última hora apêndice, ao vol. 2, derivando a contradição e propõe a eliminá-lo através da modificação da Lei Básica V. Esta carta e resposta de Frege são traduzidas para o inglês em Jean van Heijenoort 1967.

Solução proposta de Frege foi posteriormente demonstrada que significa que há apenas um objeto no universo de discurso e, portanto, aquele não vale nada (na verdade, isto faria para uma contradição no sistema de Frege, se tivesse axiomatizada a idéia, fundamental para a sua discussão, que o verdadeiro e o falso são objetos distintos, por exemplo, Dummett 1973), mas o trabalho recente mostrou que a maior parte do programa do Grundgesetze pode ser recuperado e expandido de outras formas.

Frege foi um dos fundadores da Filosofia Analítica, principalmente por causa de suas contribuições à filosofia da linguagem, incluindo a:

- Função de Análise no Argumento da Proposição;

- Distinção entre Conceito e Objeto (Begriff und Gegenstand);

- Princípio da Composicionalidade;

- Princípio do Contexto;

- Distinção entre o Sentido e Referência (Sinn und Bedeutung) de nomes e de outras expressões, por vezes dito que envolve uma teoria da referência mediada.

Como um filósofo da Matemática, Frege atacou o recurso a explicações psicologisto-mentais do conteúdo do acordo no significado das sentenças. Seu propósito original era muito longe de responder a perguntas gerais sobre o significado, em vez disso, desenvolveu a sua lógica para explorar os fundamentos da Aritmética, empresa de responder a perguntas como "O que é um número?” ou “O número de objetos não-palavras (“um”,”dois” etc.) ...referem-se?”. Mas, na persecução destes assuntos, ele finalmente encontrou-se analisar e explicar o significado que é, e assim chegou a várias conclusões que se mostraram altamente consequentes para o curso posterior da Filosofia Analítica e Filosofia da Linguagem.

Em "Sobre o Sentido e a Referência" (1892) Frege apresenta um paradoxo envolvendo Semântica e Epistemologia, e também uma solução para o mesmo. O paradoxo envolve sinônimos e a possibilidade de uma pessoa desconhecer a relação de sinonímia.

Vejamos um exemplo. Os nomes "Cícero" e "Túlio" designam exatamente a mesma pessoa, o filósofo e orador romano autor de De Finibus. Todavia, as frases "Cícero é Cícero" e "Cícero é Túlio" não tem o mesmo valor cognitivo. "Cícero é Cícero" é uma frase desinteressante que simplesmente expressa a identidade de uma coisa consigo mesma (lei de Leibniz). "Cícero é Túlio", por outro lado, tem valor informativo. Uma pessoa que descobre que "Cícero" e "Túlio" designam a mesma coisa não está meramente descobrindo a relação de identidade que uma coisa tem consigo mesma, pois isso ela já sabia, ao menos implicitamente.

Mas, como podem as duas frases serem diferentes do ponto de vista informativo, visto que os nomes envolvidos designam a mesma coisa?

A solução proposta por Frege para o problema consiste em articular o significado dos designadores em dois elementos, o sentido (Sinn) e a referência (Bedeutung). Essa posição de Frege foi um dos alvos de Saul Kripke em Naming and Necessity.

Os nomes "Cícero" e "Túlio" têm a mesma referência, o filósofo romano. Mas não têm o mesmo sentido, ou valor cognitivo. É por isso que quem diz "Cícero é Túlio" não está dizendo algo trivial.

O assim chamado quebra-cabeça de Frege representa um dos desafios ao millianismo a respeito dos nomes: a posição segundo a qual a contribuição de um nome para o conteúdo das frases em que ocorrem é seu referente.

Fontes:

plato.stanford.edu/entries/frege/

plato.stanford.edu/entries/frege-logic/

iep.utm.edu/f/frege.htm

utm.edu/research/iep/f/freg-lan.htm

Exercícios - Lógica Matemática (Simbólica) nº02

Lógica Matemática (Simbólica)

Exercícios de Revisão II (com Operações):


1.) Considere a proposição p: "as garotas se despem", e q: "a banda toca". Postas, produza-as na forma de linguagem natural com os seus respectivos significados; assim, em linguagem corrente de cada proposição, em cada tópico.

a-) p

b-) ¬ q

c-) q . p

d-) p & ~q

e-) (p ^ q) ⊃ p

f-) ¬ ( p & ~ q) <-> (p V q)

g-) ( ¬ p <-> q) ⊃ ~ ~ q

h-) p . ( q ⊃ ¬ p)

i-) ~ q <-> ( p ^ ¬ q)

j-) ~ ~ ~ p V ¬ q

k-) ¬ ( ~ p & q ) ⊃ ( p V ¬ q )

l-) p <-> ~ ( p V ~ q ) -> ( ¬ p . q )

2.) Dadas as proposições ( p , q , r , s ), as traduza para a linguagem lógico-matemática:

a-) O consumo não aumenta.

b-) Isaac investe.

c-) Isaac não investe e o consumo aumenta.

d-) O consumo não aumenta ou Isaac investe.

e-) Se Ricardo vende, Isaac investe.

f-) O consumo aumenta se e somente se o valor da alíquota decresce.

g-) Isaac investe e o consumo não aumenta se não for verdade que o valor da alíquota decresce.

h-) Ricardo não vende se Isaac investe, ou o consumo aumenta.

i-) É falso que em uma ocasião, o valor da alíquota decresce ou Isaac não investe, Ricardo não vende.

j-) Ricardo vende se é verdade que o consumo aumenta e o valor da alíquota descresce.

k-) O consumo não não-aumenta ou Ricardo investe se e somente se Isaac não investe.

l-) Considerando que Isaac investe e o consumo aumenta, Ricardo vende ou o valor da alíquota decresce.

3.) Nas seguintes proposições, desvelar seu valor lógico:

a-) O quadrado tem apenas três lados ou todo corpo tem peso.

b-) Em condições naturais, se Antônio colocar o dedo na tomada, levará um choque.

c-) O gelo é duro e quente ou o homem decapitado tem cabeça, se o forno congelar a comida e o homem ser dotado de compreensão lógica.

d-) Não é falso que 144 é raiz de 12 e que São Paulo é capital de Santa Catarina se e somente se o Rei da Dinamarca for careca.

e-) A Idade Média é também conhecida como A Idade das Luzes ou o homem comum é bípede e tem 5 dedos na mão.

f-) O mercúrio dilata com o frio e o 1000º número primo, começando do 0, é 104729.

g-) Para Bertrand Russell, não é verdade que Deus é existente.

h-) Em condições naturais, pode chover água e caírem raios.

i-) Em condições naturais, pode chover canivetes ou caírem tapetes persas.

j-) A pólvora é um componente explosivo se e somente se o homem é um animal racional e selvagem por natureza.

k-) Os primeiros homens não viviam em contratualismo ou sociedade, portanto Rousseau estava errado.

l-) Os carros não devem transitar por cima das calçadas e os juízos matemáticos são todos a priori, então na Alemanha se fala comumente grego arcaico.

Para, provavelmente, saber as respostas corretas, mande um e-mail solicitante, com a determinada tentativa de resolução realizada, para leonardofragah@hotmail.com ..que eu possivelmente retornarei com as mesmas...

Quem acertar tudo, concorrerá a um brinde surpresa...

terça-feira, 17 de novembro de 2009

"Hora da Pipoca" - Intervalo II



(Banda: Sisters of Mercy - Música: Lucretia, My Refletion)

O ruir da modernidade e a aurora da esvanecida contemporaneidade, aparecem ambos enaltecidos em forma de música. Tudo dançante, "sendo -entre-", Ser e não-ser, zero e um, verdade e falsidade, olhar e reflexo...

I hear the roar of a big machine
Two worlds and in between
Hot metal and methedrine
I hear empire down
I hear empire down

I hear the roar of a big machine
Two worlds and in between
Love lost, fire at will
Dum-dum bullets and shoot to kill, I hear
Dive bombers, and
Empire down
Empire down

I hear the sons of the city and dispossessed
Get down, get undressed
Get pretty but you and me
We got the kingdom, we got the key
We got the empire, now as then
We don't doubt, we don't take direction
Lucretia, my reflection, dance the ghost with me...

We look hard
We look through
We look hard to see for real
Such things I hear, they don't make sense
I don't see much evidence
I don't feel
I don't feel
I don't feel

A long train held up by page on page
A hard reign held up by rage
Once a railroad
Now it's done...

I hear the roar of a big machine
Two worlds and in between
Hot metal and methedrine
I hear empire down...

We got the empire, now as then
We don't doubt, we don't take reflection
Lucretia, my direction, dance the ghost with me...

"Hora da Pipoca" - Intervalo



(Banda: Evergrey - Música: A Touch of Blessing)

Umas das diversas manifestações do "anominável", ou pulsão vivente de "vontade pura"...

...redenção, encanto obcecado e extasiar-se, em "ser o mundo".

Que é a "Filosofia" diante do exaurir do Momento, pela alma musical?

Penso que Dioniso precisa de Apolo e vice-versa... Como se o repouso, ontologicamente, fosse apenas "incompreensão", incompetência nossa em intolerar dubitáveis variáveis, daquilo que é dinâmico e não "captamos" como movimento dos seres, assim permanece "metafisicamente" por simples hábito, reafirmando-se e reafirmando-se em constante mudança. A compreensão do "fogo em devir dionisíaco-ontológico" é tabu para muitos.

Enfim, pra quem conhece e gosta dos "artesãos" suecos, dia 13/12 terá show deles na Arcoverde, em Pinheiros(SP). Comprei anteontem o ingresso e pretendo ir.

sábado, 14 de novembro de 2009

Quem Somos?

"QUEM SOMOS?" (limite ultrapassado de caracteres, na descrição do perfil do blog, vai então como postagem mesmo, até "segunda ordem"...)

Leonardo & Veridiana, apreciadores de... Filosofia, Música, artes e ciências em geral, agradáveis prazeres, "rock/metal soco-na-coxa e tapa-na-cara", sombra e água fresca, literatura prosaico-poética "sem muita frescura", valores transvalorados, passeios noturnos; e redentores de um"epochéiko" gosto peculiar de falar mal dos outros à suspensão de todos os juízos (inclusive, por vezes, na terceira pessoa à primeira pessoa do singular/plural).

Exímios intelectuais simbolistas emparnasianados, abstrato-realistas; excelentes, "lógicos" em Estética, e "estéticos" em Lógica. Com o "querer saber", pretendem investigar, criticar e questionar a Filosofia, dela e pela mesma; pois, do contrário, simplesmente tudo "Dionisar-Desmesuradamente-à-Deus-Dará", e ainda que "Gozar pela Vida" seja essencial, a Filosofia Acadêmica assim, como fim, não teria qualquer sentido.

Possuidores de ácido e corrosivo humor, com onipresente ironia atuante, sarcasmo onisciente e onipotência em interpretar, buscam diatônicamente, a satisfação cromática. Safardanas à lá ritornelo, mil consonâncias harmônicas em infinitas por arranjadas vozes, não são o bastante. Usufruidores por Andamentos e Dinâmica do "Mesmo", em Presente-Existencial, no ápice da eternização do Momento retornante e do querer na vontade de potência para um além-do-homem, suas vidas são autênticas obras de arte. Ode, Glória, Ouroboros! Cuidado, recém-navegante de incontáveis oceanos sem ilhas...

Enfim, palavras não são suficientes para dizer tudo, ora indizível. Palavras não dizem quase nada. O mundo de símbolos nunca chegará perto do "mundo real". Mas, aqui fica a tão grave simpatia ao "dizível". E aqui, um "Viva" à "Vida", como Ela é. Os dois autores desse blog, os dois impávidos observadores desde uma soberba e altiva fraga escalada, à sopro rarefeito, querem "Da capo" vivencial elevado à enésima potência. À sombra de um leve, honesto e aconchegante pessimismo em alegria.

Quem Tem Medo De Matemática?

Pessoalmente, penso que o condicionamento de massas a respeito do “diabolismo” dos números, vai meio pela linha do “Saber é poder”. Controle da grana (a saber, a manha de investimentos metadiversos – lucro e crédito –, nas bolsas de valores e afins); fundamentos “contemporâneos” plausivelmente consistentes por alicerces “provisoriamente” duradouros – a “visão maior” em micro e macro-econômica; “segurança” e administração da própria liberdade: afinal, a liberdade não “é o bem que nos permite desfrutar dos outros bens”?, como diria o iluminista Barão de Montesquieu; ora, o dinheiro não é denominado ou sinônimo de “Capital”, por mero acaso...

Qual seria o pior... O brechtiano “analfabeto político” ou o “analfabeto matemático”? Como ser um, sem também não ser o outro?

Aritmética, álgebra, geometria, trigonometria, cálculo, análise, teoria, probabilidade, estatística, logaritmo, enfim... Calcular pode ser ruim, mas os produtos são notáveis... Penso, que, salvas circunscritas exceções, quem “domina os números”, ostenta de certo modo “poder”. Pelo menos, no que diz respeito ao nosso “Atual Mundo Ocidental”.

Como a máxima atribuída à autoria de Aristóteles, reitero: “As ciências têm raízes amargas, mas seus frutos são doces”. Hmm...ou não. Tudo é relativo, pronto. Vou pro bar.

Revista Exame – Capital Digital

Quem Tem Medo De Matemática?

Por Helio Gurovitz

Muita gente. O problema é que ela é cada vez mais necessária

Desde criança me impressiona como gente extremamente inteligente e sensível pode ter medo de matemática. A infeliz divisão curricular entre ciências, por assim dizer, humanas e exatas só reforça a fobia. Ninguém diz "tenho horror a frases", mas muita gente não tem a menor vergonha em confessar "não suporto contas". Muitos sentem orgulho da própria ignorância — "eu gosto é de pessoas, não de números", como se uma coisa pudesse ser comparada à outra. Em situações sociais, se alguém comete algum erro grosseiro de português, pega muito mal. Se comete uma barbaridade matemática, com certeza se safa numa boa. Fazemos força para erradicar o analfabetismo do Brasil, mas não gastamos um tostão nem um só segundo para combater — com o perdão do barbarismo — o analfabetismo em matemática (em inglês, criaram até uma palavra para identificar o problema: mnumeracy).

Milhões, bilhões, trilhões, que diferença faz? Faz muita. Pense que, se você gastasse 1 real por segundo, levaria onze dias e meio para torrar 1 milhão de reais, mas 32 anos para se livrar de 1 bilhão. Percebeu como faz diferença? Mas, mesmo entre executivos e empresários (para não falar em políticos e jornalistas), dimensões e grandezas não parecem estar na ordem do dia. Nem estatísticas, probabilidades, proporções ou percentuais. O problema é que a tecnologia está. E, normalmente, a dificuldade de quem não consegue lidar com o computador não está na máquina. Está no analfabetismo em matemática.

Um computador não passa de uma máquina de calcular muito vitaminada. Tudo num computador é traduzido por números. Absolutamente tudo. Chamar algo de digital quer dizer, precisamente, que esse algo pode ser "numerizável" (em francês, por sinal, a tradução para a palavra digital é numérique). Como, então, alguém pode lidar com a economia digital se tem fobia de números? Como pode entender que a era da informação, no fundo, é a era numérica, já que os bits não passam de números (zeros ou uns)?

Os mais pragmáticos podem objetar que não é preciso saber como funciona um editor de textos ou um programa de apresentação de slides para usá-los. É fato. Um dos grandes avanços no mundo dos computadores foi torná-los mais palatáveis às massas. Mas qualquer um concordará que é impossível usar a tecnologia da informação da melhor forma nas empresas sem dominá-la. Como medir, por exemplo, se um investimento em programas e equipamentos sai caro ou barato? É nesse ponto que o problema se torna mais insidioso. Pois as mesmas pessoas que admitem com orgulho a ignorância em matemática morrem de vergonha de dizer que se sentem intimidadas pelo computador e deixam as decisões mais simples a cargo dos especialistas.

Não há motivo para vergonha. O sistema educacional doutrinou a maioria para ver a matemática como algo monótono que não incentiva a criatividade e nada tem a ver com a humanidade tão necessária hoje para gerir corporações. Para ter idéia de como é falsa a suposta oposição entre atividades técnicas e humanas, basta lembrar que entre os maiores representantes das últimas estão matemáticos como René Descartes. Blaise Pascal, Gottfried Leibniz ou Bertrand Russell. Se você encarar a matemática apenas como o que ela é — mais uma linguagem ou uma outra língua estrangeira —, perceberá como ela instantaneamente desce do pedestal do inacessível. E, de quebra, verá como fica fácil tirar proveito do computador.

hgurovitz@abril.com.br

econ.puc-rio.br/gfranco/HGurowitz_matem.pdf

on.br/site_edu_dist_2006/pdf/modulo3/medo_de_matematica.pdf

sexta-feira, 13 de novembro de 2009

Relaxamento Pós-Expediente (++ Frank Zappa)

Manoel e a Lógica

Da Denotação (completo) - (2/2)

Da Denotação – Bertrand Russell

Ensaio em "Lógica e Conhecimento"

Coleção Os Pensadores – 1ª edição

Tradução – Pablo Rubén Mariconda

2ª Parte (2 de 2)


Falta mostrar como todos os enigmas que consideramos são resolvidos pela teoria do início deste artigo.

De acordo com a perspectiva que defendo, uma expressão denotativa é essencialmente parte de uma sentença, e não tem, como muitas palavras simples, qualquer significação por conta própria. Se digo, “Scott foi um homem”, este é enunciado da forma “x foi um homem”, e tem “Scott” como seu sujeito. Mas se digo “o autor de Waverley foi um homem”, este não é um enunciado da forma “x foi um homem” e não tem “o autor de Waverley” como seu sujeito. Abreviando o enunciado formulado ao início deste artigo, podemos por em lugar de “o autor de Waverley foi um homem”, o seguinte: “uma e somente uma entidade escreveu Waverley, e tal entidade foi um homem”. (Esta não é uma interpretação tão literal quanto a realizada anteriormente; mas é mais fácil de ser entendida.) E falando de uma maneira geral, suponha-se que queremos dizer que o autor de Waverley tinha a propriedade “phi”, o que queremos dizer é equivalente a “uma e somente uma entidade escreveu Waverley, e tal entidade tinha a propriedade ‘phi’”.

A explicação da denotação é, pois, como segue. Cada proposição na qual “o autor de Waverley” ocorre, sendo explicada acima, a proposição “Scott foi o autor de Waverley” (isto é, “Scott foi idêntico ao autor de Waverley”) torna-se “uma e somente uma entidade escreveu Waverley, e Scott foi idêntico a essa entidade”; ou, transformando para a forma totalmente explícita: “não é sempre falso para x que x escreveu Waverley, que é sempre verdade para y que se y escreveu Waverley, y é idêntico a x, e que Scott é idêntico a x”. Assim, se “C é uma expressão denotativa, pode acontecer que exista uma entidade x (não pode existir mais de uma) para a qual proposição “x é idêntico a C” seja verdadeira, sendo esta proposição interpretada como acima. Podemos, então, dizer que a entidade x é a denotação da expressão “C”. Desta forma, Scott é a denotação de “o autor de Waverley”. O “C” entre aspas será simplesmente a expressão, e não alguma coisa que possa ser chamada o significado. A expressão per se não tem significado, porque em qualquer proposição na qual ela ocorre, a proposição, inteiramente expressa, não contém a expressão, que foi desmembrada.

O enigma acerca da curiosidade de George IV é agora visto possuir uma solução muito simples. A proposição “Scott foi autor de Waverley”, que foi escrita por extenso em sua forma sem abreviaturas no parágrafo precedente, não contém nenhum “o autor de Waverley” como constituinte, que poderia ser substituído por “Scott”. Isto não interfere na verdade das inferências que resultam de fazer o que verbalmente é a substituição de “o autor de Waverley” por “Scott” enquanto “o autor de Waverley” tenha o que chamo de uma ocorrência primária na proposição considerada. A diferença entre ocorrências primárias e secundárias de expressões denotativas é a que segue:

Quando dizemos: “George IV desejava saber se fulano de tal”, ou quando dizemos “fulano de tal está surpreso” ou “fulano de tal é verdadeiro”, etc., o “fulano de tal” deve ser uma proposição. Suponha-se agora que “fulano de tal” contenha uma expressão denotativa. Podemos ou eliminar essa expressão denotativa da proposição subordinada “fulano de tal” ou da totalidade da expressão na qual “fulano de tal” é um mero constituinte. Diferentes proposições resultam de acordo com a qual das duas fazemos. Ouvi de um suscetível proprietário de um iate, a quem uma visita, vendo o iate pela primeira vez, observou “eu pensei que seu iate fosse maior do que ele é”; ao que o proprietário respondeu, “não, meu iate não é maior do que ele é”. O que a visita queria dizer era, “o tamanho que eu pensei que seu iate tivesse é maior do que o tamanho que seu iate tem”; o significado atribuído é, “eu pensei que o tamanho de seu iate fosse maior do que o tamanho de seu iate”. Voltando a George IV e Waverley, quando dizemos “George IV desejava saber se Scott era o autor de Waverley”, normalmente queremos dizer “George IV desejava saber se um e somente um homem escreveu Waverley, e George IV desejava saber se Scott era esse homem”. Na última proposição, “o autor de Waverley” tem uma ocorrência primária; na primeira proposição, uma ocorrência secundária. A última proposição poderia ser expressa por “George IV desejava saber, com respeito ao homem que de fato escreveu Waverley, se ele era Scott”. Isto seria verdade, por exemplo, se George IV tivesse visto Scott a distância, e tivesse perguntado “aquele é Scott?”. Uma ocorrência secundária de uma expressão denotativa pode ser definida como uma ocorrência na qual a expressão ocorre na proposição p que é um simples constituinte da proposição que estamos considerando, e a substituição da expressão denotativa deve ser efetuada em p, não na totalidade da proposição considerada. A ambiguidade entre as ocorrências primárias e secundárias é difícil de ser evitada na linguagem; mas ela não produz dano se estamos atentos a ela. Obviamente, na lógica simbólica ela é facilmente evitada.

A distinção entre as ocorrências primárias e as secundárias também nos capacita a lidar com a questão de se o atual rei da França é careca ou não é careca, e de uma maneira geral com o status lógico de expressões denotativas que não se denotam nada. Se “C” é uma expressão denotativa, digamos “o termo que possui a propriedade F”, então

“C tem a propriedade phi” significa “um e somente um termo tem a propriedade F, e esse termo tem a propriedade phi”. (Essa é a interpretação abreviada e não a mais rigorosa.)

Se, entretanto, a propriedade F, não pertence a termo algum, ou a vários termos, segue-se que “C tem a propriedade phi” é falsa para todos os valores de phi. Assim, o atual rei da França é careca” é certamente falsa; e o “atual rei da França não é careca” é falsa se significa “existe uma entidade que é agora rei da França e não é careca”, mas é verdadeira se significa “é falso que existe uma entidade que é agora rei da França e é careca”.

Isto é, “o rei da França não é careca” é falsa se a ocorrência de “o rei da França” é primária, e verdadeira se a ocorrência é secundária. Assim, todas as proposições nas quais “o rei da França” tem uma ocorrência primária são falsas; as negativas de tais proposições são verdadeiras, mas estas “o rei da França” tem uma ocorrência secundária. Assim, escapamos à conclusão de que o rei da França tem uma peruca.

Podemos agora ver, também, como negar que exista um objeto tal como a diferença entre A e B no caso em que A e B não diferem. Se A e B diferem, existe uma e somente uma entidade x tal que “x é a diferença entre A e B” é uma proposição verdadeira; se A e B não diferem, não existe tal entidade x. Desta forma, de acordo com o significado da denotação explicado por último, “a diferença entre A e B” tem uma denotação quando A e B diferem, mas não possui denotação de outro modo. Esta diferença aplica-se geralmente a proposições verdadeiras e falsa. Se “aRb” representa “a tem relação R com b”, então quando aRb é falsa, não existe tal entidade. Assim, fora de qualquer proposição, podemos fazer uma expressão denotativa, que denota uma entidade se a proposição é falsa. Por exemplo, é verdade (pelo menos assim suporemos) que a Terra gira ao redor do Sol, e falso que o Sol gira ao redor da Terra; portanto, “a revolução da Terra ao redor do Sol” denota uma entidade, enquanto “a revolução do Sol ao redor da Terra” não denota uma entidade. [[As proposições das quais tais entidades são derivadas não são idênticas seja a essas entidades, seja às proposições que essas entidades têm sido.]]

Todo o domínio de não-entidades, tais como “o quadrado redondo”, “o número primo par diferente de 2”, “Apolo”, “Hamlet”, etc., pode ser agora satisfatoriamente resolvido. Todas estas expressões são expressões denotativas, que não denotam nada. Uma proposição acerca de Apolo significa o que obtemos pela substituição daquilo que os dicionários clássicos nos dizem significar Apolo, a saber, “o deus do sol”. Todas as proposições em que Apolo ocorre devem ser interpretadas através das regras acima para expressões denotativas. Se “Apolo” tem uma ocorrência primária, a proposição contendo a ocorrência é falsa; se a ocorrência é secundária, a proposição pode ser verdadeira. Desta forma, novamente “o quadrado redondo é redondo” significa “existe uma e somente uma entidade x que é redonda e quadrada, e essa entidade é redonda”, que é uma proposição falsa; não uma proposição verdadeira, como sustenta Meinong. “O mais perfeito Ser tem todas as perfeições; a existência é uma perfeição; logo o mais perfeito Ser existe”, torna-se:

“Existe uma e somente uma entidade x que é mais perfeita; essa entidade tem todas as perfeições; a existência é uma perfeição; logo essa entidade existe”. Como prova, esta prova falha por falta de prova da premissa “existe uma e somente uma entidade x que é mais perfeita”. [[Pode-se fazer o argumento para provar de modo válido que todos os membros da classe dos mais perfeitos seres existem; pode-se provar também formalmente que essa classe não pode ter mais do que um membro; porém, tomando a definição de perfeição como posse de todos os predicados positivos, pode-se provar de modo formal aproximadamente da mesma maneira que a classe não pode ter mesmo um membro.]]

O Sr. MacColl (Mind, N. S., n.º 54, p.401) considera os indivíduos como sendo de duas espécies, real e irreal; daí, ele define a classe vazia como a classe que consiste de todos os indivíduos irreais. Isto supõe que expressões tais como “o atual rei da França”, que não denotam um indivíduo real, denotam entretanto um indivíduo, mas um indivíduo irreal. Esta é essencialmente a teoria de Meinong, que tivemos razão para rejeitá-la, porque ela entra em conflito com a lei de contradição. Com nossa teoria da denotação, somos capazes de sustentar que não existem indivíduos irreais; de tal forma que a classe vazia é a classe que não contém membros e não a classe que contém como membros todos os indivíduos irreais.

É importante observar o efeito de nossa interpretação de definições que procedem através de expressões denotativas. Muitas definições matemáticas são dessa espécie; por exemplo, “m-n significa o número que, adicionado a n, resulta m”. Assim, m-n é definido como significando o mesmo que uma certa expressão denotativa; mas concordamos que expressões denotativas isoladas não têm significado. Assim, a definição deveria realmente ser: “qualquer proposição contendo m-n deve significar a proposição que resulta da substituição de ‘o número que, adicionado a n, resulta m’ por ‘m-n’.” A proposição resultante é interpretada de acordo com as regras já dadas para a interpretação de proposições cuja expressão verbal contenha uma expressão denotativas. No caso em que m e n são tais que existe um e somente um número x que, adicionado a n, resulta m, existe um número x que pode substituir m-n em qualquer proposição contendo m-n, sem alteração da verdade ou falsidade da proposição. Mas, em outros casos, todas as proposições, em que “m-n” tem uma ocorrência primária, são falsas.

A utilidade da identidade é explicada pela teoria acima. Ninguém, fora de um texto de lógica, jamais desejou dizer “x é x”, e entretanto asserções de identidade são frequentemente deitas em formas tais como “Scott foi o autor de Waverley” ou “tu és um homem”. O significado de tais proposições não pode ser formulado sem a noção de identidade, apesar de não serem simplesmente enunciados de que Scott é idêntico a um outro termo, a saber, o autor de Waverley, ou que tu és idêntico a um outro termo, a saber, o homem. O menor enunciado de “Scott é o autor de Waverley” parece ser “Scott escreveu Waverley; e é sempre verdadeiro para y que se y escreveu Waverley, y é idêntico a Scott”. É deste modo que a identidade entra em “Scott é o autor de Waverley”; e é possuindo tais usos que a identidade é importante de ser afirmada.

Um resultado importante da teoria da denotação exposta acima é o seguinte: quando existe qualquer coisa da qual não temos conhecimento de trato imediato, mas somente definição através de expressões denotativas, então as proposições, nas quais essa coisa é introduzida por meio de uma expressão denotativa, não contém realmente essa coisa como um constituinte, mas contém, ao contrário, os constituintes expressos por várias palavras da expressão denotativa. Desta forma, em toda proposição que podemos apreender (isto é, não somente naquelas cuja verdade ou falsidade podemos julgar, mas em todas que podemos pensar), todos os constituintes são realmente entidades das quais temos conhecimento de trato imediato. Ora, coisas tais como a matéria (no sentido em que a matéria ocorre na física) e as mentes de outras pessoas são conhecidas por nós somente através de expressões denotativas, isto é, não temos conhecimento de trato delas, mas as conhecemos como sendo aquilo que tem mais tais ou quais propriedades. Portanto, apesar de podermos formar funções proposicionais C(x), que devem conter tal ou qual partícula material, ou a mente de fulano de tal, ainda assim, não temos conhecimento de trato das proposições que afirmam essas coisas, que sabemos que devem ser verdadeiras, porque não podemos apreender as entidades reais concernidas. O que sabemos é “fulano de tal tem uma mente que possui tais ou quais propriedades”, mas não sabemos que “A tem tais ou quais propriedades”, onde A é a mente em questão. Em tal caso, sabemos as propriedades de uma coisa sem ter conhecimento de trato da coisa em si, e, consequentemente, sem saber qualquer proposição simples, da qual a coisa em si seja um constituinte.

Das muitas outras consequentes da perspectiva que estive defendendo, não direi nada. Somente pedirei ao leitor para não se precaver contra a perspectiva – como poderia estar tentando fazer, devido aparentemente à sua excessiva complicação –, até que tenha tentado construir uma teoria própria sobre o assunto da denotação. Essa tentativa, acredito, o convencerá de que, qualquer que possa ser a teoria verdadeira, ela não pode ter a simplicidade esperada de antemão.